quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Frescura na memória

As temperaturas altas voltaram. De novo se sente o Verão depois de uns dias mais frescos e um descanso nos incêndios. Vamos ver como será o final do mês de Agosto.
Hoje senti aquele bafo quente à hora de almoço e ao final do dia o quente ainda agarrava ao corpo. Ainda me sentia assim quando chego ao prédio onde vive a minha sogra, entrei e nas escadas estava uma frescura com aquele aroma do cimento fresco.
Esse cheiro tocou-me na memória. Fez-me lembrar as casas alentejanas. As adegas, as cisternas (na foto, a cisterna junto ao castelo de Mértola) e todas as divisões de uma casa que se mantêm frescas no verão.
Estando a trabalhar todo o dia com o ar condicionado, sinto logo a diferença na frescura de uma casa preparada para a canícula.
Os antigos é que faziam bem. Em Espanha ainda usam as talhas grandes de barro, cuja porosidade permite refrescar a casa, mantendo-se junto a uma corrente de ar e colocando água dentro. Além de na andaluzia, as casas terem pátios que refrescam toda a casa. São conhecimentos que se perdem na feitura das casas novas dependentes do ar condicionado.

Também li hoje uma notícia sobre a utilização dos rebanhos de cabras para a prevenção de incêndios e desbaste do mato. Mais uma medida inteligente que vai absorver os conhecimentos antigos e que respeita a natureza.
Nos próximos dias iria saber muito bem dormir as sestas ou mesmo à noite, num quarto fresco dos antigos. Podia ser sem o cheiro do cimento fresco. Apenas a frescura.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Desertificação do interior


Estas fotos são da linha do Sabor, perto da última estação da linha do Douro, no Pocinho. A ponte está toda ferrugenta e a linha cheia de mato e as madeiras podres. É pena porque é uma viagem lindíssima e não há investimento para uma linha que ia até à fronteira com Espanha. As linhas vão fechando porque há menos utentes e que por sua vez vão ficando mais isolados no interior.


O interior está a ficar vazio. Na sexta passada li sobre o fecho de 701 escolas do ensino básico e parece-me que não vão ficar por aqui. Se não há população suficiente, não vale a pena manter escolas vazias. Mas a descida da natalidade e a saída para a emigração estão a começar a chegar ao litoral. Também vi na lista escolas que não ficam no interior, mas nos centros das cidades onde também vai havendo menos gente.
Por este andar, qualquer dia as faculdades vão a casa convidar os futuros alunos para preencher vagas. Não estou a ver grandes mudanças no futuro.

Recomendo este blogue com imagens das estações e linhas que já fecharam em Portugal. Uma aventura no interior do país.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Praias

Tem estado um tempo impecável para se estar na praia, especialmente dentro de àgua. Continuo a trabalhar, mas os fins-de-semana tem havido um tempinho para ir para a praia.


No domingo de manhã estava muito bom. Muita gente, àgua muito agradável e andei com os óculos e as barbatanas a ver uns peixinhos. Muita gente junta numa das praias da Arrábida. Há um ano atrás andava a desenhar pelas praias de Aljezur, com muito menos gente.



Gosto muito deste tempo de calma, uma certa moleza que permite observar, desenhar com mais pormenor, mais paciência para todos os detalhes. Os "modelos" ajudam mantendo as poses, tornando bem agradável o momento de desenho. Estes dois desenhos são do mesmo casal.

P.S. Continuo a fazer um esforço para seguir a série do canal Travel "Travel Notebook". Dos horários mais estranhos, tenho conseguido ver às quintas pelas 23h. A semana passada vi o excelente "Cuba" com a desenhadora Carla Tallop.

sábado, 7 de agosto de 2010

Sketchcrawl no Barreiro (Resultados)

No passado sábado 31 de Julho, realizou-se o 28th worldwide sketchcrawl. Eu organizei para o mesmo dia o 2º encontro de desenhadores do Barreiro. A divulgação foi insuficiente e em tempo de férias é mais complicado arranjar pessoas para participar.


Assim e depois de passear pelo Mercado 1º de Maio, fui até ao jardim perto da sociedade "Os Franceses" no velho centro do Barreiro. Muito sossegado, um final de manhã bem quente e deu para desenhar um pouco. A motivação não foi suficiente e apenas ficou este enquadramento da árvore e do coreto atrás.


É um jardim com uns 100 anos e cenário de alguns passeios em meados do século XX, a poucos metros da praia e do Tejo. Mas foi muito agradável o momento. O próximo encontro deverá ser em Outubro. Irei fazer uma melhor divulgação. Desenhadores no Barreiro acabarão por se juntar.

Mais desenhos meus no Flickr.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Verão Quente há 35 anos.

Comprei este mês a edição da revista Visão História sobre o Verão quente de 1975. Tive curiosidade de conhecer uma época de grandes lutas e de quase guerra civil em Portugal.
A revista está muito bem feita. Faz um relato dos factos entre o 25 de Abril de 1974 e o 25 de Novembro de 1975. Ainda é um pouco confuso compreender, por um lado por ainda estar fresco na cabeça dos mais velhos com todos os pontos de vista e fanatismos ainda presentes e por outro porque ainda vão surgindo mais factos e testemunhos que acrescentam sempre um pouco de pimenta à História.


Gostei muito de ler sobre um período em que as pessoas que passaram por ele não devem ter ficado com uma ideia do que se passou. Muita informação contraditória, muita ignorância, muitas culpas de vários lados e muito aproveitamento de oportunistas.
Numa das páginas, a revista apresenta um mapa do país com as legendas das revoltas e das estradas e auto-estradas. Parece que foi há 300 anos. As vias de comunicação eram rídiculas, as viagens demoravam horas e como era longe Lisboa ou o Porto do interior. 


É uma revista que aconselho a leitura a todos. Quem não sabe e quem não percebeu o que passou. Como lá é referido, Portugal foi naquela altura um laboratório da Guerra Fria. Os EUA estavam na dúvida no que isto se iria tornar.
Assim também me apercebo no enorme desenvolvimento que o nosso país teve em 35 anos. A memória é curta para alguns.

Fotos daqui e daqui.