quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Escondidinho em Lisboa II


Mais um recanto de Lisboa. De tal maneiro escondido que nem o sol aquece aquelas paredes e a humidade deixa as suas marcas por todo o lado. O tapume do pátio que dá para a Calçada de Santo António está a descascar todo o revestimento verde e deixa ver o metal que assim fica desprotegido pelo clima mais severo.
Um pequeno arbusto espreita pela janela e lá em cima um anexo surge meio envergonhado por detrás da chaminé.
Neste dia cinzento e de frio, aguentei melhor a temperatura e encostado a um muro, pude fazer o desenho mais confortável. Algumas pessoas passaram por mim espreitando para ver o "funcionário da Câmara" a tomar notas.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Escondidinho em Lisboa I


No cruzamento da Rua da Metade com a Rua do Cardal de São José, dou conta das traseiras de um edifício escondidinho por detrás de um muro alto. Tal como o Filipe Almeida diz, a dificuldade é a escolha do melhor ângulo e que por vezes obriga-nos a ficar junto a caixotes do lixo com moscas à volta ou junto a uma janela com alguém à espreita.
Gosto muito de desenhar os detalhes - desde a tijoleira de uma chaminé antiga, às antenas que ainda existem em milhentos telhados de Lisboa ou a mistura de cabos telefónicos - que surgem no campo visual.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Travessa das Parreiras, Lisboa


Pausa de almoço. Aventurei-me pela encosta num dia de muito frio. Gostei da escadaria da Travessa das Parreiras com o topo dos edifícios da Avenida da Liberdade ao fundo. Terminei com a mão esquerda quase congelada. Frio, mas felizmente um céu bem bonito.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Carnaval e Múmias no Museu


Na terça-feira de Carnaval tive dispensa no trabalho e aproveitei para ir com a minha filha ao Museu de Arqueologia. Já tínhamos visto filmes com múmias e ela gosta sempre da acção e da aventura. E dizia-lhe que havíamos de ver uma múmia ao vivo. Ao vivo, mas que não se mexe como nos filmes.
Gostou de ver a exposição temporária Lusitânia Romana: a Origem de dois povos e sempre a querer mexer nas peças, como fazem todos os miúdos. Depois fomos ver a sala do Egipto onde estava a múmia. Deve-lhe ter dado um arrepio e teve medo de a ver. Acabei por ver a sala com ela ao colo a dizer que queria saír. Para desanuviar fomos desenhar um pouco na secção de pedras, estátuas e lucernas romanas. Sentados no sofá e com os lápis de côr. Alguns visitantes iam espreitando o que fazíamos. No fim comprei-lhe um caderno para desenhar porque o dela estava no fim. Curiosamente os caderno vem decorado com motivos egipcíos e múmias.
De tarde fomos ver o planetário. A primeira vez para ela. Quase levantou voo no foguetão. Sessão cheia para os miúdos. Um Carnaval bem gozado.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Desenho num Fondue de carne


Sábado passado almoço num restaurante de Fondue. Grande variedade de carnes de diversos animais e todos a grelharem a refeição, verificando o tempo de cozedura e tempero com uma série de molhos.
Não tenho muita paciência para estar a comer e a verificar os bifes que estão na chapa. Uma situação um pouco stressante quando queremos almoçar com calma e conversar. Pedi um bife de Lama já todo preparado da cozinha do restaurante. Viajei um pouco no saber de uma carne dos Andes.
A variedade de molhos deixou-me todo o dia com sede e sem querer jantar.
A grande vantagem de ver fazer a comida é o tempo que disponho para desenhar com calma todo o momento de preparação. Normalmente quando penso em desenhar comida, já estou com o garfo nela.
A minha filha queria também deixar a marca no desenho e contribuíu com os traços verdes que dão um tom diferente à chapa fumegante.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Tudo cor-de-rosa


Na sexta passada, mais uma travessia fluvial Lisboa-Barreiro e dou conta de uma senhora vestida toda de côr-de-rosa e sapatos pretos. Ia a ler uma revista Hola! ou como nós dizemos ihola! por causa do ponto de exclamação ao contrário no início. 
Revista cheia de fotos e pouco texto. Com nomes de famosos que nunca ouvi falar, mas eu não estou por dentro das revistas do social.
De vez em quando a senhora aproximava a revista até bem perto do nariz, se calhar para ver algum detalhe dos vestidos ou ler os textos em letra pequena. As mãos com anéis dourados e relógio no mesmo tom. O rosa da roupa dava-lhe um ar quase adolescente.
Por uma vez ou duas quase que me apanhava a olhar para ela, mas consegui desviar a atenção desenhando a passageira da frente. "Se calhar não era para mim que estava a olhar".