terça-feira, 16 de setembro de 2008

Backpackers - Flashpackers

Durante muitos anos, os jovens de 20 anos, viajaram por todo o mundo com a "casa" às costas. A mochila pesada com a roupa toda amarrotada, ficavam em hotéis baratos e de quartos com beliches e wc comunitário.
Grandes experiências, viagens cansativas, horas a percorrer as cidades, estações de comboios e comendo sandes de atum e salsichas. O interrail, as boleias, tudo faz parte de uma fase da vida de diferentes gerações.
Mas, a tecnologia foi-se desenvolvendo. Hoje em dia, ainda há jovens "caracóis" com a mochila pesada às costas e dormitando pelos bancos de comboios de toda a Europa. A diferença está nos mais velhos, perto dos 30 anos, que passaram a fazer viagens com outro conforto, mas seguindo o mesmo espírito das experiências dos mochileiros.
Assim, a mochila passou a ter rodinhas, o Laptop passou a acompanhar sempre. A câmera digital, o telemóvel são ferramentas necessárias. Mantêm as conversas por mail, por mais longe que estejam, pesquisam hotéis, restaurantes e claro, as companhias aéreas de low-cost para as viagens mais em conta.Se antes, era a aventura, sem orientação, a desdobrar mapas enormes e a pedir informações em várias línguas, hoje, apenas muda o cenário, porque o "escritório" anda sempre funcional em qualquer lugar da terra.
Fazem-se blogs com diários de viagem, actualizados diáriamente.Os hotéis vão instalando tomadas para pc's, espaços para internet wireless, enfim tudo o que o viajante pode
usar para estar próximo de casa e dos amigos. Tirar fotos de paisagens em lugares distantes e enviá-las para os amigos que estão no escritório a trabalhar.
Enfim, o viajante de hoje não conhece o perigo de se perder, de perder o contacto com a casa, excepto, se lhe roubarem toda a tecnologia. Aí, a aventura está de volta!!

Foto da mochila: http://www.traveltech1.com/powerpackbackpackwlaptopcompartment.aspx

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Um euro na Ryanair

A companhia aérea low-cost, Ryanair saiu com uma promoção de voos por apenas 1 Euro! E com as taxas incluídas. Não sei como é possível uma pessoa viajar por um euro e a companhia não ter prejuízo. Até para andar de metro em Lisboa é mais caro. E mesmo que sejam viagens para aeroportos que ficam muito distantes das principais cidades, o avião tem de voar e o combustível tem de ser pago.
Se o voo se atrasar, eles devolvem o euro?
Mas, descobri que no site eles têm uma coisa engraçadíssima. Um calendário com as hospedeiras da companhia. Calculo que sejam as hospedeiras, pois serão elas a precisar de receber o ordenado. Não sei como é feito, mas por enquanto eles continuam a voar e que eu saiba ainda não caiu um avião deles.
Claro que o calendário, como o nome diz, é em nome da caridade, mas não dizem de qual...
A TAP lançou também agora umas viagens para toda a Europa, mas ainda custam 64 euros. Não é nada mau. E nem sei como a TAP se vai aguentar só com este valor. Agora por um euro... É de uma pessoa ficar a desconfiar do serviço.
Outra ideia, poderá ser a cobrança de tudo o que existe dentro do avião. Apertar o cinto antes de levantar voo, são 20 euros. Hospedeira a atravessar o corredor para ver se está tudo sentado, são 15 euros a cada passageiro. Uma garrafinha de água deve ser mais cara que numa discoteca algarvia em pleno verão. E finalmente, uma tabela com contacto dos táxis do aeroporto que fica a 100 km da cidade de destino, deve ser uns 50 euros.
Até tenho receio de pensar que esquema é feito para conseguirem estes valores. Quem quiser aproveitar que avance. A Ryanair tem mantido um nível de qualidade. Para quem quiser visitar Dublin e conhecer a sede da companhia.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Budas de Bamiyan

Boas notícias vindas do Afeganistão. Descobriram uma estátua de um Buda reclinado, com 19 metros, na província de Bamiyan. Nesta província, os Talibans explodiram 2 estátuas de Budas gigantes de 55 e 38 metros. As explosões de 2001, danificaram um dos símbolos daquela província e da história deste país martirizados por constantes guerras.A equipa de arqueólogos procurava a estátua de um Buda reclinado de 300 metros, que é descrita no livro de um peregrino chinês, que por lá passou há centenas de anos.Segundo a agência Lusa, os arqueólogos ainda descobriram peças da era islâmica. O Afeganistão é um país com uma história muito rica. Ponto de passagem de exércitos, da Rota da Seda, teve (e ainda tem) extrema importância estratégica, militar e económica.Infelizmente é uma região que se encontra em guerra permanente e muitos dos achados arqueológicos acabam por ser destruídos ou desaparecem com o tempo. Poucos são os relatos de viagem e os últimos guias de viagem do país datam do final dos anos 60/70 quando fazia parte da rota de viagem dos hippies que iam para o extremo oriente. As condições para as escavações são muito perigosas, com a protecção das forças militares internacionais, arriscando a vida com minas, emboscadas e o caos. Esperemos que a guerra faça uma pausa (acabar de vez, deverá ser impossível) e novas descobertas se façam. É um país rico em artefactos de várias religiões e quem sabe um dia, poderemos visitar essas maravilhas em segurança.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Pânico em Hydra

Enviei este texto para o Jornal Público em 2007 e foi publicado no suplemento Fugas em 29 de Dezembro, no passatempo Leitores em Fuga:

Em Novembro de 2006, eu e a minha mulher, voltávamos de uma estadia de 3 dias na ilha de Hydra, na Grécia. Esperávamos a chegada do único catamaran que estava a funcionar nesse dia em que um temporal se havia abatido desde a véspera e não abrandava. A visão daquela embarcação a “surfar” as ondas altas e a entrar no pequeno porto, deu-nos a volta a barriga e empurrava o nosso almoço para fora. Pessoas com malas de viagem entraram rapidamente, debaixo de chuva, no “FlyingCat”. O nome era propício, pois na procura dos lugares, voávamos nos corredores a tentar chegar o mais perto da popa. Ficámos junto à janela e lá fora a ondulação forte não sossegava o espírito. O medo de naufrágio crescia. Numa das descidas de uma onda mais alta, um vidro perto de nós rachou de alto a baixo. Algumas pessoa gritaram. A tripulação começou a distribuir sacos de enjoo. Mudámos para o meio do barco a pedido da tripulação. Abracei uma das colunas e senti-me a perder os sentidos. Coloquei a cabeça entre os joelhos para me sentir melhor. Os meus braços estavam dormentes. A televisão que tinha sido desligada foi substituída pelos sons de agonia de grande parte dos passageiros. Parámos no porto da ilha de Poros, um intervalo numa viagem atribulada. A tripulação circulava com um saco grande a recolher os pequenos que haviam sido distribuídos. As lágrimas corriam-me pela cara e estava branco. A segunda parte até ao porto de Pireu iria ser igual e novos sacos foram sendo distribuídos. A rapariga grega que distribuía os sacos, disse-me qualquer coisa em grego e não entendendo nada, a minha expressão falou por mim e ela deu-me mais dois sacos. A expressão “grego”, sentia-a em todos os sentidos.
A chegada foi um alívio. O céu estava muito cinzento lá fora, não chovia. As pessoas saíam devagar. Demorei a levantar-me. Uma experiência de cerca de 3 horas que nunca havia sentido.
Apanhámos o metro para Atenas e nessa noite apenas jantei uma torrada e um chá, após um banho quente.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Don LaFontaine - a Voz

A minha homenagem ao maior apresentador de trailers de cinema, Don LaFontaine, que faleceu na segunda, 1 de Setembro. Fez a apresentação de mais de 5000 filmes. Uma voz que fazia filmes de terror, românticos, de acção ou de comédia. Ficou famosa a frase de abertura "In a world where..." e depois era só juntar "one man" ou "the heroe is back and more powerfull". Uma voz que tantas vezes foi imitada para fazer comédia com a apresentação de filmes ou sketches. Numa entrevista contou que a voz tinha mudado aos 13 anos, no meio de uma frase e depois ficou envergonhado para falar nas aulas e quando falou foi ao conselho directivo. Mais tarde trabalhou como assistente de realização e mais tarde como produtor. Nos anos 60 começou a gravar spots utilizando a voz grave que conseguia manobrar, mantendo mais ou menos grave conforme o tipo de filmes. Deixo um spot publicitário, onde se pode apreciar o seu talento para nos fazer rir. E nos lembrar da falta que nos vai fazer para os próximos trailers.

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