segunda-feira, 23 de abril de 2012

Surf no Barreiro

Achei engraçada a notícia que passava na televisão na sexta passada. Um grupo de surfistas no Barreiro a aproveitar a ondulação causada pela passagem dos catamarãs. Eu que todos os dias faço esse trajeto nunca os tinha visto a apanhar as ondas. Conheço bem a ondulação que se sente quando cruzamos com um catamarã em sentido contrário, mas daí a aproveitar para surfar é mesmo de sentido de oportunidade.


Mas foi curioso como se têm boas ideias, se aproveitam efeitos secundários para uma actividade. Não tinha coragem de me enfiar naquelas águas do tejo, mas gosto de ver que há quem as saboreie de outro modo.

Gosto muito de estar à beira rio, no Barreiro, em dias de sol e muita gente vai para as esplanadas ao final da tarde saborear a vista para o Seixal, Almada e Lisboa. E há quem pesque naquelas águas. Desta vez, desenhei um que tentava apanhar algo enquanto via alguns peixes a saltarem ao largo.
Uma paisagem diferente, com potencial turístico mas que apenas vai entretando os barreirenses. Ainda gostava de ver o Barreiro Velho aproveitado como a zona antiga do Seixal e de toda a baía.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

O Colosso grego

Acabei há pouco tempo de ler um livro que achei excelente, do melhor que li ultimamente. "O Colosso de Maroussi" do Henry Miller. Sobre a viagem do autor de "Trópico de Câncer" à Grécia em 1939, a convite de um escritor amigo, Lawrence Durrel.

Gosto do modo como o Miller encarou toda a viagem e como teve a epifania, mudando para sempre toda a visão da vida do escritor. Adoro como ele, sendo americano, critica os gregos emigrantes, que apenas dizem mal da terra natal e sobrevalorizam os EUA. Ele critica todo um modo de vida consumista e saboreia toda a simplicidade das paisagens cruas e agrestes do país, a energia dos poetas e escritores gregos (o título do livro refere-se ao poeta Giorgos Katsimbalis) e elogia a terra escolhida dos deuses pela Luz.


Fiquei com vontade ler mais livros do Miller, especialmente os escritos após esta viagem. E fiquei ainda com vontade de revisitar a Grécia. Na altura em que lá estive, foi uma desilusão ver pedras que já foram monumentos e observei pouco, o melhor que a Grécia tem de cultura e no carácter do povo. Aguentam há quase 2 anos estoicamente, uma das maiores crises mundiais e esperam saír dela.

Algumas das frases que me ficaram do livro:

“A Grécia, por muito que esteja despida e escanzelada como um lobo, é o único paraíso da Europa.”
“Uma Grécia revitalizada poderia perfeitamente alterar o destino de toda a Europa.”

“Entrámos em choque. Não suporto essa ideia, enraizada na mente dos povos pequenos, de que a América é a esperança do mundo.”

Katsimbalis - “De que me servia ser escritor, um escritor grego? Ninguém lê em grego.”

E no epílogo tem uma carta do amigo Durrel sobre uma das histórias do "Colosso" chamada "galos de Ápia" que é brilhante e define a personalidade do poeta. Lembrou-me um pouco também do Zorba.

Nota: Tirei esta foto em Atenas do alto da Acrópole.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Quando temos tempo

Sábado passado fiquei com a minha filha a dormir no carro. Para não a acordar, resolvi andar um pouco pelo Barreiro. Pensei em ir até à zona industrial da Quimiparque e procurar uma paisagem para desenhar enquanto ela dormia.
Escolhi um local com vista para uma estrutura de vários andares com muitos detalhes.


Estacionei, ela continuou a dormir e permiti-me oferecer uma 1 hora para desenhar com calma, descontraído e com tempo para detalhes. Soube mesmo bem o momento. O resultado está aqui. Quis passar um pouco de côr no ambiente, mas penso que a preto e branco tinha ficado melhor.
Deixei o resto da página em branco e já não toquei em mais nada. Gostei. Do momento e da criatividade que também coloquei.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Arriscar no estrangeiro

Todos os dias a ser bombardeado com notícias da crise, vou-me interessando em ver outros aspectos que se vão falando. Um deles é o da emigração dos portugueses.
Vi uma reportagem numa televisão sobre os problemas de cidadãos nacionais em problemas em Inglaterra e na Suíça. Os casos que vi eram da construção civil, que devido à falta de obras em Portugal, resolveram tentar a sorte fora.


A reportagem acompanhou um homem num expresso com destino a Genebra, na parte francesa da Suíça. Tinha pago o bilhete de transporte, estava a ser entrevistado sobre as condições que esperava e apenas com 60 euros no bolso. Não sabia falar francês, mas tinha um contacto que lhe prometera um trabalho razoavelmente bem pago. Cheio de esperança, desce no destino e tem logo o apoio de um português que vive há muito lá e estava a ajudar recém chegados. Tentaram logo telefonar numa cabine e o contacto dava impedido. O homem soltou logo uma série de asneiras e no olhar o desespero surge de repente. Sozinho, sem saber a língua e sem dinheiro para comprar um bilhete de volta.


Há o risco mas também há que ter um plano B para o caso de algo falhar. Nesta altura até nesses países há desemprego. E sem qualificações, nada o vai distinguir de um espanhol, um italiano ou de um grego nas mesmas situações. É o desespero que vem ao de cima.

E o sol continua. Sem chuva à vista. O verão vai mesmo ser quente e seco. Como em 1975?

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Equilíbrios

Passou mais um Carnaval, ligeiramente diferente dos outros anos, mas o pessoal não deixou de se divertir. Deu para perceber que a crise é uma boa semente para bom humor, boas ideias e para maior divertimento. Como a vida é feita de equilíbrio, contrapomos a falta de dinheiro com maior necessidade de festa.
Os dias continuam de céu azul e com muitas alergias, frio de noite e quente à tarde, menos concertos musicais e mais tosses em concerto nos transportes públicos. O equílibrio das partes mantém-se.


Lembrei-me deste desenho por ver mais pessoas a lerem livros e jornais por pads ou e-books. Por acaso consegui ver este kindle no metro e não gostei da primeira impressão. Também já vi o ipad e achei mais parecido com uma televisão para ver filmes. Não sei como será com os livros, mas numa coisa bate, é pelo peso dos livros que a maior parte leva para ler no metro. É cada calhamaço, parece que só vejo os livros de 800 páginas. Eu ando com um de 400 e já acho que é grande. Vai mesmo pelo gosto de cada um. Enfim, o equilíbrio mantém-se.

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