terça-feira, 25 de março de 2014

Os rapazes da revolução


Ao final da tarde passei pelo torreão poente do Terreiro do Paço, onde decorria a apresentação de um novo livro com o título "Os rapazes dos tanques" do jornalista Adelino Gomes e do fotógrafo Alfredo Cunha.Vi a entrevista deles no Público onde diziam que no 25 de Abril tinham 29 e 20 anos respectivamente. Neste livro quiseram ir atrás dos jovens militares de 20 anos que estiveram presentes naquele dia em plena acção.
Interessante ver os autores que eram jovens jornalistas na altura e que assistiram a estes jovens militares enfrentarem a pressão e a responsabilidade naqueles tanques militares. Um dos taques estava junto ao torreão como cenário e chamariz para quem quisesse espreitar.
Quando cheguei assisti a um desses "jovens", o antigo cabo Alves Costa a dar uma entrevista à equipa da RTP. Este antigo cabo nunca mais tinha voltado a Lisboa desde esse dia de 1974 e foi um mistério para o descobrir. O papel dele foi muito relevante no frente-a-frente entre as forças revolucionárias e as forças leais ao governo nessa manhã. Achei muito interessante a entrevista dele ao Público. Um "rapaz" inocente que ficou de frente para uma situação terrível e decidiu bem. 

sábado, 15 de março de 2014

Cerimónia na Sé de Lisboa


Esta sexta-feira, por curiosidade fiz um desvio matinal e passei pela Sé de Lisboa. Sabia que o dia estava marcado pela cerimónia de homenagem ao antigo Cardeal António Policarpo. Todo o cenário estava a ser preparado com carros de exteriores das televisões, desvio do trânsito, esperando uma grande afluência de pessoas na última despedida.
As portas abriam às 08h30. Eram 08h35 quando fiz este desenho. Fiquei ao pé de uma família de turistas estrangeiros que observavam o aparato. O desenho foi muito rápido e chamou-me mais a atenção do estandarte que encimava a entrada da Sé.
Ainda pude observar a saída de um padre cristão ortodoxo, que não passou sem apanhar com as entrevistas e câmeras de televisão. Havia ainda pouca gente e há que aproveitar quem passa para conseguir alguns minutos de noticiário.
Ainda tive oportunidade de passar lá pelas 18h30, quando saíam as pessoas da cerimónia. Representantes das forças militares, da política, das Igrejas e pessoas comuns desciam calmamente pela rua. Não desenhei mais, fiquei a observar o ambiente que sai fora da rotina habitual desta cidade.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Arqueologia na Baixa de Lisboa II


Outro dia tive um pouco mais de tempo no caminho para o trabalho e consegui desenhar rapidamente o cenário de uma escavação no antigo convento Corpus Christi, na Baixa de Lisboa.
Impressiona ver duas caveiras à espreita no chão de terra, com uma delas mesmo de frente para mim. Muitas ossadas misturadas que ficaram em entulho da época do Terramoto de 1755 e de toda a destruição causada.

Antes todos eram enterrados nas igrejas, prática que só foi alterada no século XIX com a obrigação de criar cemitérios ao lado das igrejas como medida de higiene. Grande polémica na altura com os familiares a quererem manter a tradição dos enterros nas igrejas.

Por vezes encontro a equipa que lidera a escavação e aprendo algumas coisas numa troca de impressões. Quando lhes perguntei se não lhes faz impressão mexer em ossadas, respondem que é mais difiícil quando encontram objectos pessoais como roupa ou sapatos. Mas mantendo a concentração científica no trabalho, a pesquisa sobre como viviam os nossos antepassados continua. E vou passando diariamente a acompanhar os trabalhos.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

No passado dia 14 de Fevereiro...


... eu esperava ao balcão, de um café/restaurante no Barreiro, por uma pizza que estaria a saír do forno.
Foi no dia dos namorados e os empregados andavam a preparar as mesas para os jantares de casais. Menú especial com nomes engraçados, alguns enfeites e até um licor.
Acho que ficaria constrangido no meio dos outros casais com os ramos de flores. O nosso jantar foi em casa e muito agradável. 

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Polémica na Baixa de Lisboa


Li uma notícia no Público sobre o risco de fecho da casa "ginginha sem rival" nas Portas de Santo Antão em Lisboa. Passo por esse local todos os dias e vejo sempre com muitos turistas. É mais um caso para acrescentar à polémica sobre o futuro de Lisboa. Tem havido muita construção de hoteis de luxo na Baixa, com o despejo de lojas antigas desses edifícios. Se por um lado vejo que essas obras reabilitam edifícios que estavam muito degradados, por outro lado desaparecem algumas lojas tradicionais que não existem em mais lado nenhum. E muitas vão sendo substituídas por lojas de "souvenirs" baratos que não ficam nada bonitas.
Espero que estejam a fazer contas ao número de hoteis que surgem e o que os turistas irão ver da cidade. Se a Baixa ficar toda bonita e cheia de hoteis, o que haverá para ver sem ser as lojas que existem em todos os países. Os turistas vêm ver o que é diferente, os cafés e restaurantes com comida portuguesa, as retrosarias, as lojas de vinhos e conservas (são lindas!) e a vida quotidiana dos lisboetas.
Na minha opinião, as ruas deveriam ser pensadas em todas as vertentes. Os hoteis são necessários, mas também as lojas que são parte da cultura. Há também lojas completamente obsoletas e que se arrastam.

Corremos o risco de ver ruas tão caras e de luxo que não há onde almoçar fora ou comprar produtos de mercearia. Quem morar no centro terá de saír para os arredores para ir às compras?
Outro aspecto que não anda longe desta polémica é o tipo de pavimento a usar na cidade. A calçada tradicional é linda, mas estando degradada é um risco para uma queda e há muitos casos. Já vi como ficou a rua da Vitória com um pavimento de pedra grande que ficou mesmo liso e excelente para quem anda de sapatos altos. Promete aumentar a discussão.

Vivemos numa época em que felizmente Lisboa está nos roteiros e melhores destinos internacionais. Vamos acarinhar isso e pensar com cabeça sobre o futuro da cidade. Temos que nos virar para o turismo cultural e gastronómico, porque infelizmente o turismo de sol e praia cada vez vai ser mais complicado com as praias a ficarem sem areia.

Desenho: Um dos sinos da Igreja de São Nicolau, na esquina da rua dos Douradores com a rua da Vitória, em Lisboa.

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