sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Desenho na proa


Um desenho na proa do barco. O local onde vão mais passageiros. Em dias de muito calor abrem a porta e corre a brisa do Tejo até à popa. Tudo a dormitar ou a jogar no telemóvel.
Curiosidade de ouvir falar em italiano de umas raparigas mais à frente e um nariz a espreitar o meu desenho. Estava todo inclinado para a direita para ver os detalhes da porta quando viro-me para a esquerda e tenho uma senhora inclinada para o meu lado a ver o que desenhava. Não disfarçou e manteve o olhar no caderno.
À saída os passageiros levantam-se antes do barco atracar e o corredor fica cheio de pessoal de pé. As italianas ficaram à espera de saír mesmo ao meu lado, enquanto acabava de desenhar e aproveitaram para espreitar também.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Evitar os períodos de maior calor


Uns dias nublados e mais agradáveis seguem-se outros de calor intenso. Não podemos dizer que não estamos em Agosto e que este verão está mesmo quente, especialmente no interior do país, especialmente em zonas de floresta que são massacradas nesta altura com os fogos e respectivas reportagens televisivas com os mais novos jornalistas em campo.
Há regras básicas que os antigos seguiam e que continuam certas, como evitar as horas de maior calor para estar na rua, na praia ou a correr. Mesmo bebendo os líquidos necessários, o melhor é mesmo estar à sombra ou num local com o Ar Condicionado com temperaturas decentes e não como em algumas lojas de roupa.
Quem como eu atravessa a Baixa de Lisboa ao final da tarde e sente o suor a escorrer pelas costas, as pernas a colarem nas calças e se mete num barco que é uma estufa enquanto está atracado, sente o corpo a amolecer, a ensonar, aguardando pelo início da viagem e esperar por uma brisa do Tejo. Os leques trabalham bem, falta só uma app no telemóvel que nos faça resfrescar a pele.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Atmosfera na travessia do Tejo


Gosto muito de desenhar nas travessias diárias do rio Tejo. Há sempre algo que nos chama a atenção. O ambiente é normalmente calmo, silêncio de manhã e à tarde com mais conversa. As pessoas em grupo viram-se para conversar com os colegas de trás, há poses de espreguiçanço como no primeiro desenho, leituras diversas e muita gente em meditação com os olhos fechados nos sonhos de quem é embalado na ondulação do Tejo.


E claro há sempre quem ache curioso um tipo de caderno a escrevinhar e a olhar. E alguns ganham coragem de espreitar e muito raramente metem conversa comigo. A atmosfera quotidiana nas travessias entre Lisboa e o Barreiro.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

O Puto do Record


Estava sentado do lado do corredor no piso superior do barco Lisboa-Barreiro, quando vi ao lado um rapaz com uns 10 anos que estava a ler as notícias pequenas do jornal Record. O Pai ao lado ia falando com ele, provavelmente explicando o mundo do Futebol.
Lembro-me de uma entrevista com um antigo jornalista d'A Bola explicar que muitos miúdos há 30 ou 40 anos tinham acesso às leituras desse jornal, que essa era a literatura possível e que muitos desenvolveram a capacidade de leitura, raciocínio e opinião nesses textos que comentavam os jogos de domingo à tarde.
A postura do miúdo era muito relaxada, com a perna esquerda em cima da perna do pai. Acabada a leitura do jornal, começou num jogo na playstation portátil.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Uma conversa gesticulada


Mais uma vez, de pé, ao fundo do barco. Uma conversa bem animada mesmo à minha frente e a rapariga do telemóvel a sentir-se incomodada pelas mexidas do tipo do meio. Falava com energia, gesticulando no seu pequeno espaço e procurando manter os braços nas vertical para não atingir a vizinha do lado. A mulher à direita ia fazendo pequenos apontamentos na conversa.

Em segundo plano, os passageiros que esperam a abertura da porta ainda a viagem vai a meio. Se calhar para apanhar o fresco do ar condicionado que fica mesmo no tecto, naquela zona.
Encostado a um extintor, no local onde normalmente vão as bicicletas, apontei o que vi no caderno e os 20 minutos voaram. Colori em casa, de memória.

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