Ainda temos alguma privacidade?

Por vezes quando desenho pessoas nos transportes públicos, penso no que achariam se soubessem que estão com a sua imagem no caderno de um estranho. Procuro ser discreto e muitas vezes não desenho a cara, mas fica-me sempre a sensação de invasão de privacidade. Por outro lado quando desenho e alguém ao lado espreita, está a invadir a minha privacidade, mas nesse aspecto deixo a pessoa à vontade a ver. Claro que também poderá pensar que se calhar já foi apanhado no caderno alguma vez.


Esta reflexão vem a propósito de duas notícias recentes. Uma no DN sobre o pedido por parte do FBI dos dados dos Bilhetes de Identidade dos Portugueses e da base de dados de ADN de Coimbra. Como têm encontrado algumas dificuldades junto da União Europeia, procuram fazer acordos com alguns dos países. Em troca oferecem alguma facilidade na entrada de cidadãos nacionais nos EUA. A outra notícia é do Público e refere um estudo sobre o desleixo dos portugueses com a privacidade no Facebook.

Chego à conclusão que o FBI ainda não percebeu que não precisa dos dados do BI, que tem muito mais informação na Rede social da moda e nem precisa de estar com acordos com o nosso governo. Afinal, do BI ficam a saber se somos solteiros, a nossa altura e que temos um dedo grande. Do Facebook, fotos da praia, relações conjugais ou até nossa escola/empresa ficam a saber.
Ainda me lembro de uma Rede onde se colocava os locais onde cada um fazia sexo. A criatividade tem como limite os servidores mundiais.

Comentários

hfm disse…
Belo desenho acompanhado de uma boa e coerente reflexão.

A razão que me leva a praticar pouco no metro é precisamente o sentir que estou, de alguma maneira, a invadir a privacidade de alguns. Quanto aos que estão ao meu lado a observar-me incomodam-me pois não me sinto à vontade.
Henrique Vogado disse…
Também tenho tido dificuldades no Metro. Outro dia, um casal que se beijava ao meu lado, parou para olhar o que eu fazia no caderno.

É mais fácil desenhar no cais da estação ou desenhar as pessoas que esperam no outro cais. Mais pessoas, mais fácil desenhar.