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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Ainda se fala em SIDA


Primeiro de Dezembro, ex-feriado e data da comemoração da restauração da independência mas que poucos se vão lembrar de homenagear. A nível internacional comemora-se o Dia Mundial da Luta contra a SIDA. Uma questão que desde os anos 80 foi perdendo importância nos nossos pensamentos, mas que ainda é um problema para milhares de pessoas. Lembro-me do susto que era no final dos anos 80 ir cortar o cabelo e ver o cabeleireiro a usar a navalha ou os anúncios a avisar as pessoas que podiam apertar a mão a pessoas seropositivas ou não ter receio de espirros. Os anúncios eram assustadores e em todo o lado se pensava em sexo seguro e preservativos.
Passaram os anos e parece que já não existe porque não se fala, mas é sempre preciso cuidado e assim surgem campanhas dirigidas aos adolescentes cada vez mais criativas. A empresa de preservativos Durex quer criar um emoji para ser usado nas sms e afins junto com toda a salada de imagens que representam sexo. A MTV avançou com um emoji e uma campanha bem maluca para chamar a atenção da malta mais nova. As mentalidades mudaram em 20 anos.
Tudo isto porque ouvia um telefonema, na travessia do barco, de uma mãe ao filho. Quando ele falou em testes da SIDA, a mãe assustou-se mas tratava-se de um workshop. Logo depois já desabafava com o marido. Achei engraçada a situação, mas trata-se um assunto que devemos ter sempre presente.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

É difícil falar de Sexo.

Uma professora de Mirandela ficou na boca de todos. Edições esgotadas da Playboy para ver como é uma professora por dentro. Comentários a favor e contra o seu afastamento, por causa do "alarme social" na localidade. A Câmara Municipal teve de actuar antes que houvesse uma revolução e ninguém fizesse mais nada que comentar sobre e lá se ia a produtividade no trabalho. E o respeito nas aulas de música.

Por mim, é sempre bom que haja assuntos destes que mexam com ideias e preconceitos. Para alguns é um abuso e para outros um caminho ainda longo para trilhar.
 
Ouvi também falar de uma entrevista do passado 15 de Maio, na revista do DN, em que o herdeiro ao trono português, Dom Duarte Pio, falava sobre os seus 65 anos de vida e da situação actual em Portugal. E eis que partiu a loiça nesta parte:

Convidado a falar sobre Educação e questionado sobre se «o país está mais preocupado com as causas fracturantes do que com a realidade?», o Duque não tem dúvidas.

«Claro! Tornar obrigatório o ensino da educação sexual resume-se a dizer: forniquem à vontade, divirtam-se, façam o que quiserem mas com higiene. Praticamente é só isso, em vez de dar referências éticas e morais em relação ao desenvolvimento de uma sexualidade saudável. Ao mesmo tempo, desencorajam-se as aulas de educação moral e estamos a dizer que a moral não tem importância, que só a sexualidade livre é fundamental para a felicidade dos portugueses».

Parece-me que se trata de uma opinão de uma pessoa que pensa que estará tudo perdido com a educação sexual. Que todo o mundo anda numa orgia selvagem e que ninguém liga a nada. Pelo contrário, quanto mais educação sexual houver, mas informação e consciência há para fazer sexo bom e seguro. Mas continua a ser complicado falar sobre estes assuntos. Podia ter escolhido uma expressão mais suave e não tão literária. Não gosto da expressão e não concordo com a posição dele. Penso que o Duque podia ter sido mais polido e assim só mostrou que fecha os olhos ao assunto.




Quanto mais silenciado, mais embaraço há. Mais desinformação e falta de educação na prática do sexo. Mais revistas se vendem pelo voyerismo de um assunto que todos pensam, mas poucos falam. A professora já pede 2 mil euros por entrevista. Um assunto banal que por ser tabu, vale dinheiro.

Também recentemente, a realizadora Raquel Freire na sua crónica na Antena 1, falou sobre masturbação feminina e viu o assunto ser levado ao provedor do ouvinte, por se tratar de um assunto complicado de ser falado às 09h45 da manhã e haver algumas sensibilidades. Respeito as pessoas que se sentem embaraçadas, mas acho que quando se tentam quebrar barreiras e se procura que haja informação, ela deva ser dada como serviço público nos meios de comunicação e nas escolas.

Gosto de ouvir a crónica sobre Sexualidades do Júlio Machado Vaz e da Inês Meneses aos domingos de manhã na mesma rádio e calculo que também haja embaraços entre alguns ouvintes, mas trata-se de informação bem dada e pedagógica.
A Sexualidade faz parte da vida das pessoas. Devemos falar dela, construtivamente para evitar "alarme social".

Imagens do pintor Búlgaro Peter Mitchev, retiradas daqui.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Hipocrisias

Esta semana achei curioso toda a polémica sobre a apreensão de um livro em Braga pela PSP. Já vi comentários de todo o tipo e é um tema sempre infinito para discutir.
O que pode ser considerado pornográfico? O que pode ser considerado arte?
Depende sempre do ponto de vista de quem vê. Por acaso já tinha visto esse livro à venda numa livraria e acho sempre interessante ver as reacções a tal figura, o de uma mulher nua de pernas aberta e cujo título "A origem do mundo" é tão natural para muitas pessoas e tão escandaloso para tantas outras. É uma imagem muito realista, talvez seja isso que mexe com tanta gente. Mas fico sempre surpreendido com estes acontecimentos, pois todos os dias vejo nos quiosques revistas masculinas bem destacadas, o cinema comercial português aposta cada vez mais em cenas picantes e até as séries e novelas na televisão já piscam o olho para a marotice.
Em 2008, foi notícia a proibição por parte do Metropolitano de Londres, de colocar os cartazes a anunciar uma exposição de um pintor do século XVI no Royal Academy. O cartaz reproduzia um quadro do pintor Lucas Cranach, onde surge Vénus, a deusa romana do amor e da beleza. O facto de ser uma figura nua deixou os responsáveis a pensar como haveriam de resolver um problema de expor um cartaz que seria visto por milhões de pessoas, inclusive crianças que circulam no metro londrino. Mais uma vez, trata-se de pontos de vista. Ninguém duvida que seja uma obra de arte, mas só mostra que apesar de toda a informação disponível hoje em dia na Net, tanto por adultos como por crianças, haja ainda tanta polémica. Será falta de cultura? Acredito que por este caminho, todos poderemos ver imagens pornográficas no computador, mas não aceitaremos imagens de arte grega, romana ou da renascença que não estejam vestidas, em lugares públicos.
Qualquer dia o busto da República tem de ser coberto, pois ter uma mama à mostra nos parlamentos será um escândalo....

Foto: http://www.aboutmayfair.co.uk/

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Mais um filme polémico...

O cartaz que abaixo apresento foi censurado pela rede de transportes de Madrid, por causa da imagem. O cartaz a anunciar o filme "Diário de uma ninfomaníaca" foi censurado nos outdoors do metro e proibido nos autocarros. Acaba por ser uma maior publicidade para ir ver o filme. Todos sabemos que o polémico é o mais apetecido. O filme é a adaptação do livro da francesa Valérie Tasso. O livro foi um best-seller e passou para o cinema pelas mãos de Christian Molina. A estreia estava marcada para a sexta-feira passada em Espanha. Lembrei-me da censura feita ao quadro que serve de fundo aos discursos do Berlusconi, que já havia falado anteriormente. Por mais aberta que se torna a sociedade, há-de sempre haver textos, imagens, filmes polémicos.Imaginando o metro de Madrid com os cartazes cobertos com uma faixa preta, ainda levanta maior curiosidade para vermos o que esconde. Neste caso é uma mão de mulher que se encontra a escorregar para dentro da própria lingerie e o resto é a nossa imaginação. Será que o filme estará à altura da expectativa criada por alguns. O livro esteve. Muitos foram os livros que foram surgindo sobre histórias de jovens, algumas universitárias, que se sentiram atraídas pelo mundo do sexo e da prostituição. Descobre-se um nicho com um tema picante e daí vem uma catadupa de estórias que envolvem sexo, mulheres e homens com poder e dinheiro.

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