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terça-feira, 20 de outubro de 2015

Urban Sketchers Portugal no Museu de Marinha - Encontro 87



Em dia de chuva veio mesmo a calhar um encontro de desenho num local resguardado. O Museu de Marinha tem muito por onde desenhar, apesar de algumas peças não terem iluminação suficiente para os detalhes. No meio de miniaturas de barcos, galeões e caravelas, comecei por desenhar as fardas da Marinha do século XVIII. E depois tirei algumas fotos de desenhadores em acção:










O tempo passou a correr e às 17h00 apareceu o vigilante para encerrar a exposição.               Saímos para a cafetaria do museu onde enchemos algumas mesas com o resultado do encontro. Desenhos de barcos, fardas, objectos, subsmarinos... Um pouco de tudo e a sensação de o tempo ter passado a voar.

Ainda fiz um desenho da varanda em pleno pavilhão das galeotas, com uma vista sobre magníficos exemplares em toda a sua imponência. Gostei muito do encontro e este local promete muitas visitas para desenhar muito mais.





quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Vivemos momentos históricos!


Vivemos momentos históricos. Factos que julgávamos tradicionais, começam a mudar.
Já voto há alguns anos e achei esta eleição diferente. Parece como uma tempestade perfeita. Os resultados saíram como esperava, nisso o povo é tradicional, mas são as opções que vamos vendo sobre possíveis governos e coligações que pensávamos nunca existir.
Quando leio que o PCP poderá viabilizar um governo PS, isso é histórico.
O candidato presidencial do PCP é um ex-padre, isto é histórico.
A Alemanha está a perder o desequilíbrio com o caso Volkswagen e poderá ter grandes problemas na Economia. Uma empresa desta dimensão a fazer trafulhice nos motores... isto é histórico!
A Rússia já anda a bombardear a Síria, com a Turquia, o Irão e os EUA na mistura. Espero que este assunto não evolua para pior e se torne histórico. Devem querer confusão para fazer subir o preço do petróleo.

Enquanto isso vou desenhando o quotidiano nas travessias, vejo o pessoal descontraído e a pensar em assuntos mais ligeiros. Aproveitemos estes últimos dias de "Verono".

segunda-feira, 1 de junho de 2015

8ª Feira Medieval de Alhos Vedros


No sábado 30, fui ao encontro de desenho na 8ªFeira Medieval de Alhos Vedros a convite do C.A.C.A.V. Já tenho ido a esta feira em anos anteriores, mas desta vez o propósito era de observar com o caderno na mão. Foi muito interessante ver como se torna um desbloqueio de conversa com alguns dos intervenientes da Feira ao verem os desenhos.
Fiquei a conhecer um pouco mais o engenho de algumas das pessoas que fazem destes eventos um modo de vida como o Miguel Gomes da ArtFalco. Ainda tive de manter a concentração no desenho do ferreiro Paulo, com dezenas de curiosos a espreitarem tanto o trabalho dele como o meu desenho. Ainda tive um empurrão de uma senhora. Parece que lhe atrapalhava a posição para tirar a foto com o telemóvel. Mas tudo isto deu um gozo incrível, ouvi com cada expressão sobre o ferreiro e com algumas sabedorias. Mantive o foco no desenho e nos gestos do artesão. No final uma entremeada, uma sangria e a troca de impressões com o resto do grupo. Agradecimentos à Paula Silva e o C.A.C.A.V.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Feira Medieval de Palmela


No passado domingo, o dia esteve solarengo e fomos ver a Feira Medieval no castelo de Palmela. Sempre um ambiente diferente, onde nos apetece beber um licor de bruxa ou um pão com chouriço dos frades. 

É engraçado como naquele ambiente nos apetece consumir e comprar uma espada ou um dragão em miniatura. Como se quiséssemos levar mesmo um bocado daquela boa disposição. Achei piada a uma barraca que vendia uma sangria de ginja num corno de barro. O corno tinha umas palhinhas e dava para pendurar ao pescoço. Muita gente andava com o corno ao peito. Fiquei a pensar que o homem não vende sangrias mas cornos. Qualquer pessoa podia beber num copo de plástico, mas não há nada melhor que bebê-la num corno. 
E é assim que se vende nas festas medievais. Não trouxe corno, mas soube-me bem um bolo do caco com chouriço e manteiga de alho.


E não podia faltar a animação de um cortejo e de um torneio. Sempre engraçado de ver, mas já estava um pouco cansado. A minha filha insistiu em ver os cavalos do torneio e ficámos até ao fim. Ainda deu para testar a rapidez no traço e conseguir captar os personagens do torneio. O colorido foi feito em casa.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Arqueologia na Baixa de Lisboa IV


Recomeçaram as escavações no antigo convento Corpus Christi, na Baixa de Lisboa. Numa antiga loja de electricidade tenho acompanhado o trabalho de uma equipa de arqueólogos da empresa Empatia.
Há muita terra a ser retirada e começam-se a ver as fundações dos edifícios antigos, algumas ossadas e um cruzar de várias épocas que só os técnicos conseguem entender.
Pergunto se os muros ficam ou são retirados. Tem a ver com a relevância dos achados e da entidade que regula estas investigações em Portugal. 

Fiquei a saber que há actividades sobre arqueologia para os mais pequenos e que procuram sensibilizar as crianças e os pais para a importância destes trabalhos que para muita gente é apenas uma perda de tempo nas obras, mas que se trata do nosso passado.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

59º Encontro UsK - Alhos Vedros (manhã)




Um saboroso encontro de desenho em Alhos Vedros a convite do CACAV (Círculo de Animação Cultural de Alhos Vedros). Fiquei a conhecer melhor a localidade ao qual apenas tinha visto a Feira Medieval que este ano foi consagrada aos 500 anos do Foral, razão do convite do CACAV.
Com muita presença industrial e histórica, Alhos Vedros reflete esse passado e procura encontrar caminho para o futuro. Penso que a cultura pode bem ser um ponto bem forte.
Estes 2 desenhos foram feitos de manhã, embora já com o sol bem forte. Depois fomos almoçar num espaço cheio de àrvores (debaixo de uma ameixoeira) e muito agradável, junto ao atelier de artes desta associação.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Arqueologia na Baixa de Lisboa II


Outro dia tive um pouco mais de tempo no caminho para o trabalho e consegui desenhar rapidamente o cenário de uma escavação no antigo convento Corpus Christi, na Baixa de Lisboa.
Impressiona ver duas caveiras à espreita no chão de terra, com uma delas mesmo de frente para mim. Muitas ossadas misturadas que ficaram em entulho da época do Terramoto de 1755 e de toda a destruição causada.

Antes todos eram enterrados nas igrejas, prática que só foi alterada no século XIX com a obrigação de criar cemitérios ao lado das igrejas como medida de higiene. Grande polémica na altura com os familiares a quererem manter a tradição dos enterros nas igrejas.

Por vezes encontro a equipa que lidera a escavação e aprendo algumas coisas numa troca de impressões. Quando lhes perguntei se não lhes faz impressão mexer em ossadas, respondem que é mais difiícil quando encontram objectos pessoais como roupa ou sapatos. Mas mantendo a concentração científica no trabalho, a pesquisa sobre como viviam os nossos antepassados continua. E vou passando diariamente a acompanhar os trabalhos.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Moinho de Maré de Palhais

Nos últimos tempos tenho lido alguns textos sobre a história e o património do concelho do Barreiro. Especialmente com a criação da Rota do trabalho e da indústria, procuro conhecer um pouco do rico e abandonado património barreirense.

Gosto especialmente do papel que o esteiro de Coina e a zona da Telha Velha tiveram nos Descobrimentos. Utilizados durante o inverno para a reparação de naus.
Para as viagens faziam o conhecido biscoito e foram construídos alguns moinhos de maré para moer os cereais.


Este é o moinho de maré de Palhais que data do século XV e encontra-se bem degradado. Aproveitei o domingo ao final da tarde, enquanto a pequena dormia no carro para desenhar um pouco junto ao Tejo e observando a estrutura do moinho. Espero que um dia consigam aproveitar a potencialidade historica do concelho.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Ver o futuro lembrando o passado

Alguns de nós sentimos às vezes que o que já passou é passado, não tem interesse e que temos de olhar para o futuro. Mas é curioso como por vezes analisando factos do passado, descobrimos o futuro. E aí se torna mais fácil, conhecendo os erros do passado. Estou errado?


Capa do Diário de Lisboa de 18 Julho de 1983. Era muito novinho para perceber o que se passava.

Imagem retirada daqui.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Verão Quente há 35 anos.

Comprei este mês a edição da revista Visão História sobre o Verão quente de 1975. Tive curiosidade de conhecer uma época de grandes lutas e de quase guerra civil em Portugal.
A revista está muito bem feita. Faz um relato dos factos entre o 25 de Abril de 1974 e o 25 de Novembro de 1975. Ainda é um pouco confuso compreender, por um lado por ainda estar fresco na cabeça dos mais velhos com todos os pontos de vista e fanatismos ainda presentes e por outro porque ainda vão surgindo mais factos e testemunhos que acrescentam sempre um pouco de pimenta à História.


Gostei muito de ler sobre um período em que as pessoas que passaram por ele não devem ter ficado com uma ideia do que se passou. Muita informação contraditória, muita ignorância, muitas culpas de vários lados e muito aproveitamento de oportunistas.
Numa das páginas, a revista apresenta um mapa do país com as legendas das revoltas e das estradas e auto-estradas. Parece que foi há 300 anos. As vias de comunicação eram rídiculas, as viagens demoravam horas e como era longe Lisboa ou o Porto do interior. 


É uma revista que aconselho a leitura a todos. Quem não sabe e quem não percebeu o que passou. Como lá é referido, Portugal foi naquela altura um laboratório da Guerra Fria. Os EUA estavam na dúvida no que isto se iria tornar.
Assim também me apercebo no enorme desenvolvimento que o nosso país teve em 35 anos. A memória é curta para alguns.

Fotos daqui e daqui.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Gostei deste livro.

Acabei de ler um livro que me emprestaram. "Os Jardins de Luz" do escritor libanês Amin Maalouf. Gostei do livro, o primeiro que li deste autor.

Baseado na história do profeta, pintor e médico Mani, que viveu no século II da era cristã e trouxe uma nova forma de olhar as religiões da época. Agregou pensamentos de Cristo, Buda e de Zaratustra. Procurou um equilíbrio entre a Luz e as trevas.

O livro condensa grande parte da vida do profeta na sua juventude, na sua ascensão como conselheiro dos Reis do Império Sassânida, actual Iraque e na sua morte. As suas viagens pela Ásia não são descritas, apenas referidas.

Grande capacidade de argumentação e em poucas palavras encontrava o termo certo para convencer o Poder nas suas decisões, contrariando o clero da religião Zoroastra.

Fico com a sensação que ele passou ao lado de uma grande carreira. Arrastou multidões, mas a sua insegurança e abstenção na tomada de posições, revelava grandes fragilidades para convencer os descrentes ou adversários. Os seus escritos desapareceram, os seus pensamentos perderam-se no tempo.

Com a queda do Rei que o protegeu, a sua morte foi logo desejada pelo herdeiro que usurpou o trono do irmão. O clero ganhava espaço e acabava com um problema.

Revi muito nessa história a actualidade do mundo. Ontem via o presidente americano Barack Obama receber o Nobel da Paz e percebo que ele irá ter de optar por seguir uma via "Americana" de ver o mundo. Também ele sabe discursar bem e convencer alguns, mas os que sempre dominaram não descansarão enquanto não encontrarem pontos fracos.

Quero ler mais livros deste autor, especialmente um sobre as Cruzadas vistas pelos árabes. Há muito por aprender na História que se reflete nas atitudes de hoje.
 
Foto: Imperador romano Valeriano submete-se ao Rei Sassânida Sapor I. Tirada daqui.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Depois de 20 anos, não se aprendeu nada!

Lembro-me da queda do muro, tinha 15 anos e na altura não percebi muito bem o que se passava, o significado de toda aquela festa. Ninguém conseguiria prever todo o desenrolar de acontecimentos.
Soube agora que o derrube do muro, que hoje faz 20 anos, foi por mero erro do porta-voz do governo da RDA ao referir-se que as fronteiras estariam abertas nesse momento. Esse momento foi ao final da tarde, à noite já estavam de picaretas a mandar o muro da vergonha abaixo.
28 anos durou aquela linha que separava os bons dos maus, conforme o ponto de vista, de quem via do Leste ou Oeste. O simbolismo da queda é hoje relembrado, mas fica apenas uma festa bonita no centro da Europa.
Em pleno século XXI continuam experiências com muros um pouco por todo o mundo. Parece que ninguém aprende com estes exemplos históricos e voltam a fazer os mesmos erros. Até os Estados Unidos estão a fazer um muro na fronteira com o México.
Estudem a história do Muro de Berlim, vejam as consequências nas populações que sofrem com as separações, com os problemas diplomáticos, com as dificuldades económicas nas transacções entre países.
Um muro por maior, mais alto, mais protegido, não trava os anseios de quem fica aprisionado e todos os dias vê aquela barreira estúpida e irracional. Seja por túneis, por escadas, por contrabando, por corrupção dos guardas fronteiriços, haverá sempre pessoas a sofrer para ultrapassar aquela barreira. Para uns é tapar os olhos à miséria e os famintos que estão do outro lado, para outros é o acabar das esperanças por um lugar melhor para viver e trabalhar.
Muros em Israel e na Palestina (acho curioso a frase que lá colocaram)
entre os EUA e o Méxicoou mais recentemente entre a Índia e o BangladeshE para quê este esforço? E se um dia, os norte-americanos precisarem de refúgios no México para milhares de pessoas? Terão uma barreira na fuga. A história é feita de ciclos, mas, nós temos memória curta e esquecemo-nos de olhar para os exemplos de trás. O Expresso mostra o mapa mundo com todos os muros.
20 anos passam sobre a queda de um muro, mas os estragos ficaram na cabeça de quem viveu esses dias e agora tem de se adaptar. Recomendo um filme excelente sobre isso "Adeus Lenin".
Fotos daqui, daqui, daqui e dacolá.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Zahi Hawass - O verdadeiro Indiana Jones

Li no Público de uma descoberta de 2 tumbas com mais de 4000 anos. A descoberta foi feita por uma equipa de arqueólogos egípcios. De certeza que à frente dessa equipa estará Zahi Hawass (na foto de chapéu).

Zahi Hawass que alguns estarão habituados a ver nos documentários do Nacional Geographic, desde 2002 desempenha o cargo de secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades do Egipto e tem estado à frente das últimas descobertas no campo da Egiptologia.

Lembro-me de documentários sobre a procura do túmulo de Nefertiti, da curiosidade na pesquisa de buracos tipo respiradores da grande pirâmide.
A última grande descoberta vem relatada no site oficial do Dr. Zahi Hawass. É a maior aproximação do Indiana Jones. A vida não terá tanta acção como nos filmes, mas as descobertas estão ao nível do fantástico. Da quantidade e qualidade das descobertas num país como o Egipto com milénios de história.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Masada - A fortaleza de Israel

Na National Geographic deste mês, Herodes é o rei. O seu legado na arquitectura, no seu reinado, nas suas políticas. Na capa surge a célebre fortaleza de Masada ou Massada.
Por curiosidade, a RTP memória começou a dar uma série com alguns anos sobre um cerco que os romanos fizeram a essa fortaleza. Com os cenários naturais da região, nota-se a aridez do lugar, o calor e a vista do Mar morto. Aconselho a ver a série com o Peter O'Toole e Peter Strauss.
Gostaria de um dia visitar a região, mas os conflitos tornam dificil e arriscado uma visita aos locais arqueológicos deixados por Herodes.
A história castigou este rei, distorcendo todos os benefícios que trouxe ao povo da Judeia e acaba por ser conhecido do Ocidente, como o rei que mandou matar todos os recém-nascidos para evitar a vinda do Messias, Jesus.
Os recrutas israelitas fazem o juramento no topo desta fortaleza, símbolo da resistência, ao nascer do sol, com as palavras "Masada não cairá de novo".
Estes dados poderão ser vistos na Wikipédia com toda a história explicada e aqui também.
Impressiona-me o esforço feito para erigir uma fortaleza naquele lugar e as excelentes condições que oferecia na sua época áurea.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Cidades debaixo da terra

Um documentário que tem passado no canal História, se não me engano às segundas e que me tem revelado imagens surpreendentes das entranhas das cidades. As cidades da velha Europa revelam túneis e catacumbas, as da América e Japão revelam os locais de sobrevivências a guerras, túneis para protecção e fuga.
O último que vi, o apresentador e a sua equipa estavam em Nápoles.
Estive lá no ano passado, mas não cheguei a ir ver as famosas catacumbas. Pois, nesse episódio, ele mostrava os imensos corredores e escadas que se encontram debaixo das ruas e de prédios antigos. Os cultos de adoração dos mortos que eram feitos na clandestinidade em túneis por debaixo de Igrejas.
A certa altura, a guia mostrou um local em que o túnel estreitava e que ela ainda não se tinha atrevido a espreitar, pois o apresentador, enfiou-se mais o cameraman para um túnel extremamente apertado e com o risco de Nápoles ser uma cidade com frequência de actividades sísmicas.
Mas o programa é feito com esse espectáculo do risco, um pouco de especulação, com histórias e mitos.
Na Wikipédia traz informação sobre todos os episódios até agora realizados.
Li num jornal que tencionam fazer uns pequenos episódios para o canal História sobre os túneis de Lisboa. A aparte da cidade subterrânea que muito poucos conhecem.
Já tive a oportunidade de ver as ruínas do fabuloso Teatro Romano e as catacumbas da Rua da Prata. Gostava de ver as do Jardim do Principe Real e demais que por aí há e ninguém sabe.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Sonno Elefante de Giorgio Fratini

No passado dia 5 de Outubro, no festival de BD de Roma (Romics 2008), foi eleito como melhor livro de BD italiano, a banda desenhada "Sonno Elefante, as paredes têm ouvidos" do italiano Giorgio Fratini. O livro publicado em Portugal pela editora Campo das Letras, conta uma história sobre o local onde funcionou a sede da PIDE, durante o Estado Novo. O edifício da Rua António Maria Cardoso, que esteve ao abandono depois do 25 de Abril, foi transformado num condomínio de luxo.Esta transformação foi polémica e procurou-se salvaguardar a memória das histórias de tortura e vigilância, em homenagem a quem teve a infelicidade de lá ir parar durante o período que antecedeu o 25 de Abril.
Esta polémica motivou o autor italiano de 31 anos, que por cá passou em 2000, quando fazia o programa Erasmus do curso de Arquitectura. Envolveu também pesquisa na Torre do Tombo, no Centro de Documentação 25 Abril da Universidade de Coimbra e no arquivo fotográfico da Câmara Municipal de Lisboa.
Curiosa a forma, como uma história se desenrola à volta de um edifício de má memória para muitos portugueses. O nome da rua ficou sinónimo de medo e perseguição. É necessário revisitar momentos da nossa história que ficaram abafados como temas tabu. A história de um povo é feita de bons e maus momentos.
Todos fazem parte da nossa experiência colectiva e é necessário desmitificar de vez medos e romantismos exagerados.
Em 2006, no festival BD da Amadora, o livro "Salazar, agora na hora da sua morte", de João Paulo Cotrim e Miguel Rocha, havia vencido o prémio de melhor BD e agora uma BD italiana sobre o mesmo período, sobretudo sendo uma visão de um estrangeiro e mais imparcial.
Parabéns à BD e a Giorgio Fratini!

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Budas de Bamiyan

Boas notícias vindas do Afeganistão. Descobriram uma estátua de um Buda reclinado, com 19 metros, na província de Bamiyan. Nesta província, os Talibans explodiram 2 estátuas de Budas gigantes de 55 e 38 metros. As explosões de 2001, danificaram um dos símbolos daquela província e da história deste país martirizados por constantes guerras.A equipa de arqueólogos procurava a estátua de um Buda reclinado de 300 metros, que é descrita no livro de um peregrino chinês, que por lá passou há centenas de anos.Segundo a agência Lusa, os arqueólogos ainda descobriram peças da era islâmica. O Afeganistão é um país com uma história muito rica. Ponto de passagem de exércitos, da Rota da Seda, teve (e ainda tem) extrema importância estratégica, militar e económica.Infelizmente é uma região que se encontra em guerra permanente e muitos dos achados arqueológicos acabam por ser destruídos ou desaparecem com o tempo. Poucos são os relatos de viagem e os últimos guias de viagem do país datam do final dos anos 60/70 quando fazia parte da rota de viagem dos hippies que iam para o extremo oriente. As condições para as escavações são muito perigosas, com a protecção das forças militares internacionais, arriscando a vida com minas, emboscadas e o caos. Esperemos que a guerra faça uma pausa (acabar de vez, deverá ser impossível) e novas descobertas se façam. É um país rico em artefactos de várias religiões e quem sabe um dia, poderemos visitar essas maravilhas em segurança.

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