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quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Número 32


Dia quente, hora de almoço. Aproveito a sombra de uma árvore e encostado a um muro registo o 2º andar de um edifício devoluto, o número 32 da Rua Cardal de São José em Lisboa. Janelas abertas, pombos que entram e aproveitam os beirais para descansar. A rua é tão estreita que à passagem de alguma viatura sou obrigado a ir até à esquina e esperar que ela passe. E enquanto desenhava passaram três. O colorido foi feito em casa, de memória.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

A pausa do guerreiro


Na hora de almoço percorro algumas ruas perto do trabalho, aproveito o silêncio e as sombras das ruas estreitas e inclinadas deste bairro.
Já havia visto as obras a decorrer na rua do Carrião e as manobras do tractor para subir a rua e conseguir descarregar num camião que corta a rua do Passadiço. As manobras são incríveis e aliando a inclinação da rua, há que não derrubar pilaretes ou janelas. 
Neste dia, não estava ninguém e aproveitei para desenhar sem parecer fiscal das obras aos homens da obra. Desenhei este veículo que se farta de trabalhar e que na altura descansava. Uma cadeira velha permanecia ao lado estranhamente, mas fazia companhia ao guerreiro.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Escondidinho em Lisboa II


Mais um recanto de Lisboa. De tal maneiro escondido que nem o sol aquece aquelas paredes e a humidade deixa as suas marcas por todo o lado. O tapume do pátio que dá para a Calçada de Santo António está a descascar todo o revestimento verde e deixa ver o metal que assim fica desprotegido pelo clima mais severo.
Um pequeno arbusto espreita pela janela e lá em cima um anexo surge meio envergonhado por detrás da chaminé.
Neste dia cinzento e de frio, aguentei melhor a temperatura e encostado a um muro, pude fazer o desenho mais confortável. Algumas pessoas passaram por mim espreitando para ver o "funcionário da Câmara" a tomar notas.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Escondidinho em Lisboa I


No cruzamento da Rua da Metade com a Rua do Cardal de São José, dou conta das traseiras de um edifício escondidinho por detrás de um muro alto. Tal como o Filipe Almeida diz, a dificuldade é a escolha do melhor ângulo e que por vezes obriga-nos a ficar junto a caixotes do lixo com moscas à volta ou junto a uma janela com alguém à espreita.
Gosto muito de desenhar os detalhes - desde a tijoleira de uma chaminé antiga, às antenas que ainda existem em milhentos telhados de Lisboa ou a mistura de cabos telefónicos - que surgem no campo visual.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Travessa das Parreiras, Lisboa


Pausa de almoço. Aventurei-me pela encosta num dia de muito frio. Gostei da escadaria da Travessa das Parreiras com o topo dos edifícios da Avenida da Liberdade ao fundo. Terminei com a mão esquerda quase congelada. Frio, mas felizmente um céu bem bonito.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Travessa do Despacho


Hora de almoço. Subi a Travessa do Despacho vindo da Rua de Santa Marta em Lisboa. Travessa estreita e com muitos estendais de roupa. Aproveitei e fiz um desenho em 15m. Logo surgiu uma viatura que parou em frente à garagem. Quando o dono voltou e quis subir, tive de me colocar bem encostado a uma porta. Sabia que no fim da travessa estava lá outro carro estacionado. Enquanto terminava alguns detalhes ouvi a discussão entre o dono do carro e uma mulher. Começou suave com pedidos de desculpa, passou para "não sabem ver onde estacionam" e acabou tudo aos gritos com "alhos" e outras palavras sobre a mãe do senhor. Ninguém veio à janela espreitar a discussão que por ali deve ser o dia-a-dia. Voltei pela rua do Passadiço já sem os dois carros à vista.
P.S. Achei curioso uma toalha a secar com o nome e o logotipo de um hospital. Deve ter sido uma oferta.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Travessa do Loureiro - Lisboa


Dia de céu azul em Outubro e uma pausa na hora de almoço para conhecer mais recantos perto do trabalho. Junto ao Instituto de Oftalmologia Dr. Gama Pinto, encostado a uma das portas, apanhei este edifício na Travessa do Loureiro. À janela uma mulher estendia a roupa e conversava com algumas conhecidas. Ainda olhou desconfiada para mim, mas já não fui a tempo de a desenhar.
Uma rua de sentido único onde passam táxis a grande velocidade para deixar pacientes no Instituto, no cruzamento com a Rua do Passadiço. Recantos desta cidade que ainda tem roupa estendida à janela e até uma caixa de cerveja à espreita. 

sábado, 29 de agosto de 2015

Beco de Santa Marta


Um desenho na vertical para apanhar o Beco de Santa Marta que liga à rua com o mesmo nome. Ao fundo as portas são dos serviços de limpeza da Junta de Freguesia de onde saíram três funcionários que não me deram tempo de os colocar no caderno à medida que desciam na conversa. 
Fiquei a desenhar junto dos caixotes de fruta de uma frutaria ao lado da dona que conversava com a da loja ao lado. Iam espreitando o que ia fazendo no diário-gráfico. Não ficaram para ver o resultado final. Havia clientes para atender.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Fui à praia do Torel


Ontem na pausa de almoço resolvi dar um pulo à famosa praia urbana no jardim do Torel, no centro de Lisboa. Já conhecia o miradouro e o espaço que abre as vistas para a colina do Bairro Alto e Avenida da Liberdade, mas agora vi um local bem diferente. Apetrechado com nova esplanada, o lago cheio de água, miúdos a nadarem e adultos a apanharem sol na areia ou à sombra dos chapéus de um banco deste Milénio. Não faltava o chuveiro e nadador salvador que captei no meu desenho. Tem também uma pequena biblioteca. Serve muito bem quem não pode ir até às praias da Linha ou da Caparica.
Escolhi um local quase à sombra e logo um agente da autoridade se colocou à minha frente para aproveitar também a sombra. Ele perguntou-me se não estorvava. Disse que não e acabou também por ficar na moldura.
Colori ainda no local e no fim fui mostrar ao polícía. Ele ficou supreendido porque tinha pensado que estava a fazer algum levantamento de dados para a Junta de Freguesia ou da Câmara. Disse-lhe que já me tomaram por funcionário camarário quando desenho nas diversas ruelas desta bela cidade.
Apetecia um mergulho com o calor que estava. Voltei ao trabalho.

domingo, 1 de março de 2015

Demolição em plena Avenida


Em plena Avenida de Liberdade, em Lisboa, perto do cinema S. Jorge procede-se à demolição de um edifício que já foi café-restaurante e outros adjacentes que estão virados para uma rua atrás. Já tinha visto as entranhas dos edifícios outro dia, mas hoje na pausa de almoço, fui desenhá-los.

Ainda estava no início quando um americano me perguntou se eram edifícios com importância histórica. Contei-lho do que conhecia e que se tratavam de prédios devolutos muito degradados. E que se a Câmara tinha dado autorização, em princípio estava tudo ok para avançar com a demolição.

Junto a estas obras há sempre uns "engenheiros" mais velhos a observarem e a dizerem algo sobre a contrução. Este americano era mesmo engenheiro e estava a gostar de ver as entranhas dos prédios. Eu disse-lhe que era esse o motivo pelo qual estava a desenhar.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Um Pátio na Rua do Carrião


Mais um desenho feito na rua do Carrião em Lisboa. Um edifício que se encontra em recuperação e uma porta aberta para um pátio cor-de-rosa. Desenhei a porta ao fundo do pátio e saíu-me mal o fecho do arco ogival. Estava mesmo com curiosidade para ver a casa em obras da qual só via um arco lindíssimo em pedra, através de uma janela de grades. Há decorações maravilhosas que aproveitam muito bem os materiais mais antigos e ficam umas pérolas escondidas nas ruelas desta cidade. Colori mais tarde de memória.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Polémica na Baixa de Lisboa


Li uma notícia no Público sobre o risco de fecho da casa "ginginha sem rival" nas Portas de Santo Antão em Lisboa. Passo por esse local todos os dias e vejo sempre com muitos turistas. É mais um caso para acrescentar à polémica sobre o futuro de Lisboa. Tem havido muita construção de hoteis de luxo na Baixa, com o despejo de lojas antigas desses edifícios. Se por um lado vejo que essas obras reabilitam edifícios que estavam muito degradados, por outro lado desaparecem algumas lojas tradicionais que não existem em mais lado nenhum. E muitas vão sendo substituídas por lojas de "souvenirs" baratos que não ficam nada bonitas.
Espero que estejam a fazer contas ao número de hoteis que surgem e o que os turistas irão ver da cidade. Se a Baixa ficar toda bonita e cheia de hoteis, o que haverá para ver sem ser as lojas que existem em todos os países. Os turistas vêm ver o que é diferente, os cafés e restaurantes com comida portuguesa, as retrosarias, as lojas de vinhos e conservas (são lindas!) e a vida quotidiana dos lisboetas.
Na minha opinião, as ruas deveriam ser pensadas em todas as vertentes. Os hoteis são necessários, mas também as lojas que são parte da cultura. Há também lojas completamente obsoletas e que se arrastam.

Corremos o risco de ver ruas tão caras e de luxo que não há onde almoçar fora ou comprar produtos de mercearia. Quem morar no centro terá de saír para os arredores para ir às compras?
Outro aspecto que não anda longe desta polémica é o tipo de pavimento a usar na cidade. A calçada tradicional é linda, mas estando degradada é um risco para uma queda e há muitos casos. Já vi como ficou a rua da Vitória com um pavimento de pedra grande que ficou mesmo liso e excelente para quem anda de sapatos altos. Promete aumentar a discussão.

Vivemos numa época em que felizmente Lisboa está nos roteiros e melhores destinos internacionais. Vamos acarinhar isso e pensar com cabeça sobre o futuro da cidade. Temos que nos virar para o turismo cultural e gastronómico, porque infelizmente o turismo de sol e praia cada vez vai ser mais complicado com as praias a ficarem sem areia.

Desenho: Um dos sinos da Igreja de São Nicolau, na esquina da rua dos Douradores com a rua da Vitória, em Lisboa.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Conhecer Istambul no CCB

No sábado passado fui dar um passeio ao CCB, com intuíto de ver a exposição de fotografia sobre Istambul. Como decorre até ao dia 1 de Abril, o festival "Pontes para Istambul", resolvi aproveitar o dia de sol e as exposições de borla.

Pelas 18h00 havia menos gente e pude ver com mais calma, uma exposição do fotógrafo Ara Güler, denominada "Istambul perdida" com fotos a preto e branco, da cidade nos anos 50. No Ípsilon, pode ler um excelente artigo sobre este fotógrafo.


As fotos são belíssimas e retratam as pessoas, os bairros, os barcos que fazem a travessia do Bósforo. Tinha um aspecto nostálgico e histórico,  de uma cidade que faz a ponte entre o Ocidente e o Oriente. Uma cidade de fronteira onde se cruzam milhões de pessoas e com uma história de milhares de anos.
É uma cidade que espero conhecer um dia e que já me havia despertado a atenção pelo escritor Orham Pamuk, numa entrevista em que ele fala da cidade com muito amor e onde percorre as livrarias e alfarrabistas.
Depois no domingo à noite, para corolário da "viagem" pelas fotos, o programa da RTP2 "Câmara Clara", dedicou o tema a essa cidade, com os pontos de vistas de dois entendidos no assunto Oriente, a Alexandra Lucas Coelho e o Bruno Reis. O problema Turquia e a Europa e também a divisão Ocidente-Oriente. Recomendo a visualização do programa.
Um fim-de-semana em cheio com uma excelente viagem por Istambul.

Foto daqui.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Istambul, cenário fantástico

Hoje, enquanto via mais um documentário da fantástica série sobre os subterrâneos de algumas cidades do mundo, no canal História, lembrei-me dum filme do James Bond.
O documentário era sobre os magníficos túneis e catacumbas do antigo palácio do Imperador Constantino na cidade de Istambul, na Turquia. A cidade tem vindo a ser redescoberta com escavações para a rede de metro e com equipas de arqueólogos a revelarem maravilhas da arquitectura romana, bizantina e otomana. Um conjunto de subterrâneos que fascinam que passa por aquela bela cidade entre a Europa e o Médio Oriente.
Lembrei-me então do melhor (para mim!) filme da saga do James Bond, ainda com o Sean Connery e a "soviética" Tania Romanova, interpretada pela italiana Daniela Bianchi. O cenário de Istambul é o tabuleiro de xadrez em plena guerra fria, na disputa entre os serviços secretos ingleses, soviéticos e a rede criminosa, spectre.
A espionagem dos consulados é feita por debaixo da cidade, mostrando um enorme reservatório de água no qual James Bond chega ao consulado russo. O filme é excelente e é um clássico do cinema de espiões da guerra fria. Em 1963, o tema estava no topo, até que actualmente o terem de adaptar para as novas formas de criminalidade e sem aquela imagem "romântica" da espionagem entre Ocidentais e os países da cortina de ferro.
Fica a motivação para um dia visitar essa bela cidade e talvez conhecer os seus subterrâneos.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Cidades debaixo da terra

Um documentário que tem passado no canal História, se não me engano às segundas e que me tem revelado imagens surpreendentes das entranhas das cidades. As cidades da velha Europa revelam túneis e catacumbas, as da América e Japão revelam os locais de sobrevivências a guerras, túneis para protecção e fuga.
O último que vi, o apresentador e a sua equipa estavam em Nápoles.
Estive lá no ano passado, mas não cheguei a ir ver as famosas catacumbas. Pois, nesse episódio, ele mostrava os imensos corredores e escadas que se encontram debaixo das ruas e de prédios antigos. Os cultos de adoração dos mortos que eram feitos na clandestinidade em túneis por debaixo de Igrejas.
A certa altura, a guia mostrou um local em que o túnel estreitava e que ela ainda não se tinha atrevido a espreitar, pois o apresentador, enfiou-se mais o cameraman para um túnel extremamente apertado e com o risco de Nápoles ser uma cidade com frequência de actividades sísmicas.
Mas o programa é feito com esse espectáculo do risco, um pouco de especulação, com histórias e mitos.
Na Wikipédia traz informação sobre todos os episódios até agora realizados.
Li num jornal que tencionam fazer uns pequenos episódios para o canal História sobre os túneis de Lisboa. A aparte da cidade subterrânea que muito poucos conhecem.
Já tive a oportunidade de ver as ruínas do fabuloso Teatro Romano e as catacumbas da Rua da Prata. Gostava de ver as do Jardim do Principe Real e demais que por aí há e ninguém sabe.

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