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sábado, 11 de abril de 2009

Mais um passatempo do "Fugas"

O suplemento "Fugas" volta a fazer mais um passatempo. Uma viagem está ao alcance de um texto criativo sobre viagens e todos os detalhes. Para quem gosta de escrever e de viajar está aqui mais um desafio. Tenho de arranjar um tempinho para fazer um texto com 8000 caracteres.

Ilustração: John Shakespeare

segunda-feira, 2 de março de 2009

As fugas dos leitores

Foi publicado no Fugas deste sábado, um texto que havia enviado sobre uma viagem à região de Nápoles.
"Herculano, Itália.
A máquina do tempo junto ao Vesúvio.
Nos dias de hoje, há regiões que nos transportam no tempo. Uma dessas é a Campânia, no sul de Itália. Passei uma semana a visitar Nápoles e as cidades históricas junto ao Vesúvio, o enorme vulcão.
Saíndo de Nápoles, o passeio é feito por comboio pela linha regional circumvesuviana que circunda a base do vulcão. A viagem vai ao longo da baía. Saí na estação de Herculano e apanhei uma das carrinhas que fazem a subida à cratera. A condução é característica de Nápoles, intimidante até para quem esteja habituado ao nosso trânsito.
Os últimos metros são feitos a pé num trilho de cinza solta que leva algum tempo, mesmo para quem esteja em boa forma. As pausas para respirar fundo são aproveitadas para admirar a grande cidade de Nápoles mais a norte.
No alto da cratera, que ainda é bem funda e com algum fumo a saír de lá, observo a região até ao Sorrento. A grande erupção em 24 de Agosto de 79 d.c. subterrou as cidades de Pompeia e de Herculano. Conservou para sempre um modo de vida e que para nós ficou uma autêntica máquina do tempo.
Da visita a esta paisagem vulcânica, vim carregado de cinza nas botas, que acabei por limpar ao almoço numa típica pizzaria. O calor era muito, mas a etapa seguinte prometia o regresso aos dias da erupção.Atravessando uma ponte que faz a ligação à entrada do antigo cais de embarque, vejo de cima as ruas calcetadas. Impressiona ver o cais onde descobriram um barco que não escapou à fuga. Onde as ondas batiam, agora é um buraco enorme, fruto da escavação de toneladas de lava e rocha. A linha da costa fica a uns 500 metros agora.
A hora escolhida para passeio é excelente para evitar muitos turistas, mas dificil de aguentar o calor. Os locais mais agradáveis são os balneários públicos. Os mosaicos, os frescos são um prazer para quem gosta de ver escavações romanas. As cores dos desenhos nas paredes e imaginar o dia-a-dia nestes balneários, as horas de relaxamento ao final daqueles dias de Verão.
Villas, tabernas, os esgotos e alguma canalização estão de tal maneira preservados que quase pedimos permissão para entrar nas casas.
Herculano teve uma sorte diferente de Pompeia. A lava e as lamas queimaram a cidade. Pompeia por outro lado foi subterrada pelas cinzas do Vesúvio que a deixaram com mais vestígios, inclusive corpos humanos. Não sendo tão conhecida como Pompeia, esta cidade vale a pena visitar em complemento com a volta pela cratera do vulcão - e claro a grande cidade de Nápoles que merece uns dias e um livro para a descrever. "

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Depois de as viver, escrever A minha fuga mais feliz

Leio há muito o suplemento do Fugas e até já enviei uma história para lá. É sempre um bom exercício, o de escrever as viagens que nos marcaram, os passeios que não nos saem da memória. Assim, vão até ao blog do Fugas e deixem uma pequena história de algum momento de felicidade bem vivido.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Pânico em Hydra

Enviei este texto para o Jornal Público em 2007 e foi publicado no suplemento Fugas em 29 de Dezembro, no passatempo Leitores em Fuga:

Em Novembro de 2006, eu e a minha mulher, voltávamos de uma estadia de 3 dias na ilha de Hydra, na Grécia. Esperávamos a chegada do único catamaran que estava a funcionar nesse dia em que um temporal se havia abatido desde a véspera e não abrandava. A visão daquela embarcação a “surfar” as ondas altas e a entrar no pequeno porto, deu-nos a volta a barriga e empurrava o nosso almoço para fora. Pessoas com malas de viagem entraram rapidamente, debaixo de chuva, no “FlyingCat”. O nome era propício, pois na procura dos lugares, voávamos nos corredores a tentar chegar o mais perto da popa. Ficámos junto à janela e lá fora a ondulação forte não sossegava o espírito. O medo de naufrágio crescia. Numa das descidas de uma onda mais alta, um vidro perto de nós rachou de alto a baixo. Algumas pessoa gritaram. A tripulação começou a distribuir sacos de enjoo. Mudámos para o meio do barco a pedido da tripulação. Abracei uma das colunas e senti-me a perder os sentidos. Coloquei a cabeça entre os joelhos para me sentir melhor. Os meus braços estavam dormentes. A televisão que tinha sido desligada foi substituída pelos sons de agonia de grande parte dos passageiros. Parámos no porto da ilha de Poros, um intervalo numa viagem atribulada. A tripulação circulava com um saco grande a recolher os pequenos que haviam sido distribuídos. As lágrimas corriam-me pela cara e estava branco. A segunda parte até ao porto de Pireu iria ser igual e novos sacos foram sendo distribuídos. A rapariga grega que distribuía os sacos, disse-me qualquer coisa em grego e não entendendo nada, a minha expressão falou por mim e ela deu-me mais dois sacos. A expressão “grego”, sentia-a em todos os sentidos.
A chegada foi um alívio. O céu estava muito cinzento lá fora, não chovia. As pessoas saíam devagar. Demorei a levantar-me. Uma experiência de cerca de 3 horas que nunca havia sentido.
Apanhámos o metro para Atenas e nessa noite apenas jantei uma torrada e um chá, após um banho quente.

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