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segunda-feira, 14 de março de 2011

A grande Onda


Na sexta passada, fomos surpreendidos pelas imagens do Japão. Quase em directo, víamos um tsunami a avançar por terra dentro e a provocar toda a destruição que temos assistido. O país ainda passa por várias dificuldades. Até um vulcão entrou em erupção no sul do arquipélago.

Outro dia tinha andado a pesquisar uma xilogravura do mestre japonês Katsushika Hokusai, chamada "Grande Onda de Kanagawa" e que reproduzo em baixo. Uma imagem forte com o Monte Fuji ao centro e os pequenos barcos a resistirem. E agora revejo a imagem nas televisões. Assustadora.


Ainda na sexta, ao final do dia fui cortar o cabelo e o cabeleireiro estava a falar do assunto e juntou umas teorias da conspiração. Contou-me o filme "2012" e de como estes acontecimentos são o início de algo à escala mundial. Fez uma série de ligações com grandes magnatas a prepararem a fuga em cápsulas especiais, o esconder as alterações da Terra da população. A Teoria dele é que o sismo se deveu à perfuração petrollífera a grandes profundidades e o planeta reage a esse desequilíbrio. Quando saí do cabeleireiro tinha a lição toda. Ainda lhe perguntei se os magnatas se safam e o mundo acaba, o que sobra para eles? Iriam ter de reconstruír eles próprios tudo. Ficou sem resposta.

Uma catástrofe como esta arruína qualquer país, mas o Japão tem uma capacidade para se levantar que impressiona. Espero que não piore com os problemas nas centrais nucleares.

Imagem daqui.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Tempo húmido? Não, chuvoso!

Este inverno parece-me longo. Longo mesmo. Aguardo ansiosamente por um fim-de-semana sem chuva ou vento, para passear até à praia. O tempo de chuva parece interminável. Até as barragens, que são o meu ponto positivo para esta chuva, se encontram cheias. Este fim-de-semana, enquanto almoçava, via as imagens da chuva na Madeira e da destruição provocada. Custou-me a ver aquela água e lama a derrubar tudo o que via pela frente, mas também o facto de ter a televisão a transmitir a chuva durante o dia, sem contar com a que caía na rua.



O terreno onde estaciono o carro diariamente, parece a superfície lunar. Os buracos estão mais fundos e com água. Todas as manhãs faço um mini Dakar. Com um olho no relógio e outro no cuidado para não partir os amortecedores. Até já começamos as ver os carris da linha que ligava há uns 60 anos, o Barreiro ao Seixal. Os carris estavam enterrados, mas esta chuva tem permitido vislumbrar um pouco de história naquelas crateras.

E depois quem consegue fechar o carro, a segurar a mochila, a chave, abrir o chapéu e evitando mais uma cratera de água? E quando são aqueles dias de chuva e vento? São os passeios cheios de cadáveres de chapéus de chuva que cumpriram com a função por umas horas, com as costelas partidas com o vento.

Nesses dias, nada como refrescar a cara e molhar o cabelo. Tudo a correr e com medo de não escorregar. Para quem usa as escadas do Metro, o desporto é radical e é ver tudo a descer com cuidado. Já vi parte do novo pavimento do novo terreiro do paço e promete umas boas escorregadelas em dias de chuva. São umas pedras de mármore tão lisinho. É bom para lavar e escorregar.
Sempre encontramos reflexões cómicas nestes dias de chuva.

Foto de um blogue de viajantes americanos pela Europa. Daqui.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Pânico em Hydra

Enviei este texto para o Jornal Público em 2007 e foi publicado no suplemento Fugas em 29 de Dezembro, no passatempo Leitores em Fuga:

Em Novembro de 2006, eu e a minha mulher, voltávamos de uma estadia de 3 dias na ilha de Hydra, na Grécia. Esperávamos a chegada do único catamaran que estava a funcionar nesse dia em que um temporal se havia abatido desde a véspera e não abrandava. A visão daquela embarcação a “surfar” as ondas altas e a entrar no pequeno porto, deu-nos a volta a barriga e empurrava o nosso almoço para fora. Pessoas com malas de viagem entraram rapidamente, debaixo de chuva, no “FlyingCat”. O nome era propício, pois na procura dos lugares, voávamos nos corredores a tentar chegar o mais perto da popa. Ficámos junto à janela e lá fora a ondulação forte não sossegava o espírito. O medo de naufrágio crescia. Numa das descidas de uma onda mais alta, um vidro perto de nós rachou de alto a baixo. Algumas pessoa gritaram. A tripulação começou a distribuir sacos de enjoo. Mudámos para o meio do barco a pedido da tripulação. Abracei uma das colunas e senti-me a perder os sentidos. Coloquei a cabeça entre os joelhos para me sentir melhor. Os meus braços estavam dormentes. A televisão que tinha sido desligada foi substituída pelos sons de agonia de grande parte dos passageiros. Parámos no porto da ilha de Poros, um intervalo numa viagem atribulada. A tripulação circulava com um saco grande a recolher os pequenos que haviam sido distribuídos. As lágrimas corriam-me pela cara e estava branco. A segunda parte até ao porto de Pireu iria ser igual e novos sacos foram sendo distribuídos. A rapariga grega que distribuía os sacos, disse-me qualquer coisa em grego e não entendendo nada, a minha expressão falou por mim e ela deu-me mais dois sacos. A expressão “grego”, sentia-a em todos os sentidos.
A chegada foi um alívio. O céu estava muito cinzento lá fora, não chovia. As pessoas saíam devagar. Demorei a levantar-me. Uma experiência de cerca de 3 horas que nunca havia sentido.
Apanhámos o metro para Atenas e nessa noite apenas jantei uma torrada e um chá, após um banho quente.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Época de furacões

Em todos os jornais se fala do furacão Gustav que poderá causar uma nova catástrofe como foi o furacão Katrina em 2005. Todos os anos se repetem, alguns de grande intensidade, mas a maioria são mais pequenos, felizmente. Mas, para quem vive em países como Cuba, República Dominicana, Haiti e Bahamas, todos os anos é um pesadelo. Em Nova Orleães ainda é pior por causa dos diques que estão sempre no limite. Com o Katrina, a cidade ficou inundada. 3 anos depois ainda estão a reconstruí-la e já sentem a ameaça de novo com o Gustav. Agora que o Gustav está a diminuír de intensidade, 2 novos furacões, Hanna e Ike, aproximam-se das caraíbas. É muito má época para fazer férias nesses locais. Outro dia, questionava-me sobre quem escolhe os nomes para os furacões. Vi que há uma lista que usa 126 nomes estabelecidos para cada período de 6 anos. Se o alfabeto chegar ao fim, como em 2005, utiliza-se o alfabeto grego. Os nomes são alternadamente masculinos e femininos.
Há uns anos Sheila Jackson Lee, uma congressista afro-americana (como se diz nos EUA), afirmou que os furacões
deveriam refletir a cultura Afro-americana e não ter nomes tão caucasianos. Assim, alguns furacões
poderiam chamar-se Chamiqua, Tanisha, Woeisha, Shaqueal ou Jamal. Considerando que são fenómenos climatéricos que provocam grandes estragos, não sei se a escolha de nomes afro-americanos iria ajudar a diminuir o carácter racista na ajuda americana aos habitantes do estado da Louisiana, a maioria negros.
Também referiu que os meteorologistas deveriam usar uma linguagem menos técnica e tentar chegar à população mais pobre e menos instruída.
Usarem calão para informar do tempo, deveria ser uma anedota. As pessoas não precisam de saber os promenores técnicos, apenas a gravidade ou não do furacão.
Curioso que sempre que um furacão provoca destruição excessiva e perda de vidas humanas, o nome desse furacão é retirado. A lista dos já foram retirados vai em 67, estes os da última década:
1998 - Georges
1998 - Mitch
1999 - Floyd
1999 - Lenny
2000 - Keith
2001 - Allison
2001 - Iris
2001 - Michelle
2002 - Isidore
2002 - Lili
2003 - Fabian
2003 - Isabel
2003 - Juan
2004 - Charley
2004 - Frances
2004 - Ivan
2004 - Jeanne
2005 - Dennis
2005 - Katrina
2005 - Rita
2005 - Stan
2005 - Wilma
Há nomes como o furacão César que se enquadram. Rita também fica excelente, lembra a Rita Hayworth. Mas chamar um furacão de Hortense ou Lili. Com as mudanças que temos registado nos últimos anos e com furacões cada vez mais fortes, acabam-se os nomes para os baptizar. Ou então iremos usar os tais nomes afro-americanos. Só mesmo o políticamente americano para dar um ar cómico a uma calamidade.

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