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terça-feira, 25 de março de 2014

Os rapazes da revolução


Ao final da tarde passei pelo torreão poente do Terreiro do Paço, onde decorria a apresentação de um novo livro com o título "Os rapazes dos tanques" do jornalista Adelino Gomes e do fotógrafo Alfredo Cunha.Vi a entrevista deles no Público onde diziam que no 25 de Abril tinham 29 e 20 anos respectivamente. Neste livro quiseram ir atrás dos jovens militares de 20 anos que estiveram presentes naquele dia em plena acção.
Interessante ver os autores que eram jovens jornalistas na altura e que assistiram a estes jovens militares enfrentarem a pressão e a responsabilidade naqueles tanques militares. Um dos taques estava junto ao torreão como cenário e chamariz para quem quisesse espreitar.
Quando cheguei assisti a um desses "jovens", o antigo cabo Alves Costa a dar uma entrevista à equipa da RTP. Este antigo cabo nunca mais tinha voltado a Lisboa desde esse dia de 1974 e foi um mistério para o descobrir. O papel dele foi muito relevante no frente-a-frente entre as forças revolucionárias e as forças leais ao governo nessa manhã. Achei muito interessante a entrevista dele ao Público. Um "rapaz" inocente que ficou de frente para uma situação terrível e decidiu bem. 

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Páscoa de Abril

Este ano por causa de uma série de factores astronómicos, a Páscoa chega mais tarde e encosta ao 25 de Abril. Costumo vivenciar os 2 períodos distintamente, com curiosidade histórica por ambos. Se pela Páscoa gosto das tradições e pelos documentários sobre a vida no tempo de Cristo, pelo 25 de Abril gosto de conhecer os factos da época, o espírito da altura e como nós portugueses ultrapassámos as dificuldades do fim de uma ditadura e uma descolonização expresso.


Este ano é um mix de sentimentos e vai ser dificil saborear bem os 2, mas penso que a salada de notícias dos últimos dias sobre o FMI, me farão lembrar dos outros assuntos. Enquanto não houver novo governo, vai ser só boatos, falsas notícias e nenhuma decisão. Acalmem-se, comam um pouco de folar e andem com o cravo na lapela. Mais calmos saberemos decidir melhor para o futuro. Para já, soube que temos 3 equipas nas meias finais da Liga Europa. Parece-me um bom sinal para olharmo-nos com mais orgulho.

domingo, 25 de abril de 2010

Depois da festa, a realidade.

Faz 36 anos que se deu a revolução na vida quotidiana portuguesa. O 25 de Abril é chamado de Dia da Liberdade, da festa que acabou com o Estado Novo. Eu também faço 36 este ano e para mim é interessante perceber o que foi esse ano e os seguintes.



Em 2007, estreou nos cinemas (cinema king) um documentário sobre a ocupação da herdade da Torrebela no ano de 1975, período de ressaca do 25 de Abril.
Adorei o documentário, que não tem narração e segue os desenvolvimentos ao longo daqueles dias quentes e filmado por um alemão, para que não haja desconfiança. As dúvidas, os ódios, os sonhos de um conjunto de pessoas que acharam que faziam bem, no desejo de criar uma propriedade comunal e próspera. Uma utopia!
O melhor do filme é mostrar como é difícil gerir as expectativas das populações das aldeias vizinhas da herdade. O ideal de fazer uma cooperativa e ninguém saber explicar o que de facto é, a ingenuidade das pessoas, as dúvidas, as raivas pessoais. São emoções a quente daquele tempo, mas que estão bem dentro do ser humano. Os mais jovens podem achar aquelas pessoas ignorantes e brutas, os mais velhos  recordar erros feitos e as frustrações acumuladas. Mas a revolução é tudo aquilo, os exageros, os sonhos, novos projectos, as más decisões e tudo gerido no momento, sem planos, com objectivos vagos, mas com a energia de querer fazer algo diferente e que fosse melhor do que foi durante quase 50 anos.

Acho o filme bem instrutivo para toda a gente. Fiquei abismado com as declarações dos militares, como um deles a sugerir o uso dos carros de combate para lavrar a terra, a sugerir aos líderes a ocupação das terras e depois logo se via.
Passaram os anos, deslumbrámo-nos com os milhões da União Europeia, o país teve um grande desenvolvimento a vários níveis, mas ainda há muito por aprender, por perceber como somos e como reagimos às crises.

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