Depois da festa, a realidade.

Faz 36 anos que se deu a revolução na vida quotidiana portuguesa. O 25 de Abril é chamado de Dia da Liberdade, da festa que acabou com o Estado Novo. Eu também faço 36 este ano e para mim é interessante perceber o que foi esse ano e os seguintes.



Em 2007, estreou nos cinemas (cinema king) um documentário sobre a ocupação da herdade da Torrebela no ano de 1975, período de ressaca do 25 de Abril.
Adorei o documentário, que não tem narração e segue os desenvolvimentos ao longo daqueles dias quentes e filmado por um alemão, para que não haja desconfiança. As dúvidas, os ódios, os sonhos de um conjunto de pessoas que acharam que faziam bem, no desejo de criar uma propriedade comunal e próspera. Uma utopia!
O melhor do filme é mostrar como é difícil gerir as expectativas das populações das aldeias vizinhas da herdade. O ideal de fazer uma cooperativa e ninguém saber explicar o que de facto é, a ingenuidade das pessoas, as dúvidas, as raivas pessoais. São emoções a quente daquele tempo, mas que estão bem dentro do ser humano. Os mais jovens podem achar aquelas pessoas ignorantes e brutas, os mais velhos  recordar erros feitos e as frustrações acumuladas. Mas a revolução é tudo aquilo, os exageros, os sonhos, novos projectos, as más decisões e tudo gerido no momento, sem planos, com objectivos vagos, mas com a energia de querer fazer algo diferente e que fosse melhor do que foi durante quase 50 anos.

Acho o filme bem instrutivo para toda a gente. Fiquei abismado com as declarações dos militares, como um deles a sugerir o uso dos carros de combate para lavrar a terra, a sugerir aos líderes a ocupação das terras e depois logo se via.
Passaram os anos, deslumbrámo-nos com os milhões da União Europeia, o país teve um grande desenvolvimento a vários níveis, mas ainda há muito por aprender, por perceber como somos e como reagimos às crises.

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