Sonno Elefante de Giorgio Fratini

No passado dia 5 de Outubro, no festival de BD de Roma (Romics 2008), foi eleito como melhor livro de BD italiano, a banda desenhada "Sonno Elefante, as paredes têm ouvidos" do italiano Giorgio Fratini. O livro publicado em Portugal pela editora Campo das Letras, conta uma história sobre o local onde funcionou a sede da PIDE, durante o Estado Novo. O edifício da Rua António Maria Cardoso, que esteve ao abandono depois do 25 de Abril, foi transformado num condomínio de luxo.Esta transformação foi polémica e procurou-se salvaguardar a memória das histórias de tortura e vigilância, em homenagem a quem teve a infelicidade de lá ir parar durante o período que antecedeu o 25 de Abril.
Esta polémica motivou o autor italiano de 31 anos, que por cá passou em 2000, quando fazia o programa Erasmus do curso de Arquitectura. Envolveu também pesquisa na Torre do Tombo, no Centro de Documentação 25 Abril da Universidade de Coimbra e no arquivo fotográfico da Câmara Municipal de Lisboa.
Curiosa a forma, como uma história se desenrola à volta de um edifício de má memória para muitos portugueses. O nome da rua ficou sinónimo de medo e perseguição. É necessário revisitar momentos da nossa história que ficaram abafados como temas tabu. A história de um povo é feita de bons e maus momentos.
Todos fazem parte da nossa experiência colectiva e é necessário desmitificar de vez medos e romantismos exagerados.
Em 2006, no festival BD da Amadora, o livro "Salazar, agora na hora da sua morte", de João Paulo Cotrim e Miguel Rocha, havia vencido o prémio de melhor BD e agora uma BD italiana sobre o mesmo período, sobretudo sendo uma visão de um estrangeiro e mais imparcial.
Parabéns à BD e a Giorgio Fratini!

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