segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Take Away no Restaurante Chinês


De vez em quando vou ao restaurante chinês Xin Yun, que fica no meu bairro, buscar refeições. É um espaço que se manteve apesar da quebra há uns anos deste tipo de comida. O Sushi japonês elevou o nível e muitos restaurantes chineses acabaram por fechar.
Quando lá vou acabo por ficar na conversa com o Sr. Chen. Ele tem a minha idade e aprendeu a falar português como auto-didacta. Pergunta sempre pelos meus desenhos e explico como/onde são feitos. Numa das últimas idas esperei um pouco mais, a casa estava cheia e acabei por desenhar o ambiente da sala.
Ainda desenhei noutra ocasião um quadro que lá está e procurei desenhar os caracteres chineses. O Sr. Chen corrigiu apenas um detalhe, mas disse-me que estavam muito bem. É sempre um prazer lá voltar para falar com ele. 


segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Lisboa que vai mudando X


Perto de onde trabalho, entre a Rua de S. Marta e a Rua Rodrigues Sampaio está a crescer um edifício que deverá estar pronto nos próximos meses. Trabalho aqui há 10 anos e habituei-me a ver este espaço vazio, de um edifício antigo de 3 andares. Esse espaço era utilizado como estacionamento não oficial. Em 2011, o artista espanhol Aryz pintou um dos mais alto murais de Lisboa na parede do prédio ao lado, nesta esquina. Um belo desenho que fascina quem passa e pôe muitos turistas a tirar fotos. Este ano começaram as obras para a contrução de um edifício de igual altura e que irá cobrir esta obra. Para memória futura, aqui fica um registo antes que desapareça atrás de um outro hotel. Em frente, o edifício do antigo Montepio está a ser finalizado como Hotel.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Lisboa que vai mudando IX



De regresso à Rua de São José, num dia de muita chuva, protejo-me na entrada de uma garagem e aproveito para desenhar o edifício onde fica a sapataria Caciano. O número 132 apresenta uma montra com um amontoado de sapatos e a loja também está cheia de caixas. Quando vim trabalhar para esta rua em 2008, o Sr. Caciano estava sempre à porta a ver passar as pessoas. Nos últimos tempos e já com 90 anos, permanecia sentado à entrada. Depois deixei de o ver. Disseram-me que tinha ido para um Lar e que algum familiar estava a tentar vender parte da mercadoria com desconto. Não me lembro de ver algum cliente na loja, mas é uma casa com um formato obsoleto e o amontoado de caixas não ajuda. Tudo comprado pelo dono, num ano em que o iva iria subir e assim conseguir um valor mais baixo!
Neste dia, a roupa estendida estava toda encharcada com a chuva e não se via mais ninguém no edificío. Ao lado da sapataria, um antiquário que já havia desenhado.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Lisboa que vai mudando VIII


Subo à Rua de Santa Marta, onde me disseram que há uma frutaria que irá fechar no final de Dezembro. O edifício é bem bonito, faço uns traços e ainda durante a pausa de almoço vou falar com o dono. O Sr. Almeida diz-me que está ali desde 1980 e que esperou quase 2 anos para vender a sua loja. Está satisfeito pelo negócio. A loja é espaçosa e já conta metade das prateleiras vazias - vai ser uma pizzaria. Ao lado mantém-se um centro de estética.
Todos me dizem que o negócio das mercearias é muito complicado no centro da cidade, a faturação não chega para pagar as rendas actuais e as pessoas preferem as grandes superfícies. 
Para quem ficar a viver no centro, terá de se deslocar aos arredores de Lisboa para fazer as compras? Só me estou a lembrar de um Pingo Doce na rua 1º de Dezembro ao lado do Rossio.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Lisboa que vai mudando VI


Na Rua de São José volto a subir e fico a desenhar o n.º 118 - um antiquário. Pela hora de almoço, apanho sempre a loja fechada, mas gosto de ver o mix de artigos na montra. 

Comecei o desenho no dia anterior e neste dia, na varanda do 1º andar, uma senhora estendia a roupa. Chamou o marido e quando cruzei o olhar com ele, sem dizermos nada, mostrei-lhe o desenho que fazia. Ele pergunta-me para quem era o desenho. Disse que era para mim e mostrei-lhe outro da mesma rua. Não sei se à distância ele conseguia ver algo, mas explicou à mulher a minha resposta. Foi para dentro e a mulher continuou a estender a roupa. Tive pena de não ter desenhado a cara do senhor a espreitar no meio da roupa. No andar de cima a roupa já secava ao sol.

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