Frescura na memória

As temperaturas altas voltaram. De novo se sente o Verão depois de uns dias mais frescos e um descanso nos incêndios. Vamos ver como será o final do mês de Agosto.
Hoje senti aquele bafo quente à hora de almoço e ao final do dia o quente ainda agarrava ao corpo. Ainda me sentia assim quando chego ao prédio onde vive a minha sogra, entrei e nas escadas estava uma frescura com aquele aroma do cimento fresco.
Esse cheiro tocou-me na memória. Fez-me lembrar as casas alentejanas. As adegas, as cisternas (na foto, a cisterna junto ao castelo de Mértola) e todas as divisões de uma casa que se mantêm frescas no verão.
Estando a trabalhar todo o dia com o ar condicionado, sinto logo a diferença na frescura de uma casa preparada para a canícula.
Os antigos é que faziam bem. Em Espanha ainda usam as talhas grandes de barro, cuja porosidade permite refrescar a casa, mantendo-se junto a uma corrente de ar e colocando água dentro. Além de na andaluzia, as casas terem pátios que refrescam toda a casa. São conhecimentos que se perdem na feitura das casas novas dependentes do ar condicionado.

Também li hoje uma notícia sobre a utilização dos rebanhos de cabras para a prevenção de incêndios e desbaste do mato. Mais uma medida inteligente que vai absorver os conhecimentos antigos e que respeita a natureza.
Nos próximos dias iria saber muito bem dormir as sestas ou mesmo à noite, num quarto fresco dos antigos. Podia ser sem o cheiro do cimento fresco. Apenas a frescura.

Comentários

hfm disse…
E o pior, Henrique, é que o homem sabe como o fazer e, por interesses, não o quer fazer. E como vamos de desenhos? Tenho saudades de ver alguns.
JASG disse…
Interessante a construção em Espanha para preservar o fresco.