Um sorriso e uma voz

Fico em casa à pesquisa na Net enquanto o céu lá fora está cinzento e as notícias avisam-nos de mau tempo e alertas amarelos em alguns distritos. Fico a ouvir a entrevista do Carlos Vaz Marques na TSF com uma cantora basca que resolveu arriscar no Fado, cantado em espanhol. Romper tabus, mexer com a tradição e experimentar. Agrada-me a entrevista de Maria Berasarte cuja mãe galega a espicaçou para cantar a música tradicional portuguesa.

Procuro por imagens, entrevistas e reparo naquele sorriso que concilio com a sua maneira de falar, em português com sotaque. Simpatia, amor por Portugal e Espanha e uma paixão pelo Fado por influência dos pais. Acho que irei arriscar na compra do CD de estreia "Todas las horas son viejas" e ouvir esta voz, que me fez companhia numa tarde de vento e chuva.
Se para os espanhóis, nós somos hermanos, porque será que para os portugueses, eles são apenas nossos vizinhos? Gosto destas fusões que vão surgindo, em especial, na cultura. O que vou dizer, muitos portugueses não concordam, mas andamos há muito separados. Não sendo necessário uma união formal, mas apenas deixarmos de estarmos as costas. O passado está lá atrás não podemos andar a arrastar questões de invasões e escaramuças. As pessoas que têm irmãos também andam à porrada quando são miúdos e depois se apoiam e ajudam em adultos.
Quanto a mim, a Maria Berasarte ganhou um fã. A ver se todos nós nos conhecemos melhor e o que podemos contribuir para que isso aconteça. Afinal, as línguas são parecidas e não precisamos de esperar até 2018, para apenas realizar um campeonato do mundo de futebol em conjunto.

Comentários