quinta-feira, 29 de abril de 2010

80 anos de Feira do Livro

Pavilhões montados, livros arrumados e arranca a feira do livro de Lisboa. E lá vou eu de novo dedilhar umas lombadas à procura de bons negócios. Desde pequeno que visito a feira do livro de Lisboa e quase sempre trago um exemplar. Alguma BD, um manuseado ou um autografado.


Há coisas que se mantém, o gelado a meio da tarde e a leitura de algumas páginas no relvado. Acho que o espaço tem vindo a melhorar. No ano passado gostei dos pequenos auditórios com conversas temáticas e também dos pavilhões que estão mais confortáveis para todos.

Para mim a feira é aquele ambiente de poder folhear montes de livros, conseguir encontrar alguns tesouros antigos e aquela voz no altifalante, que reconheço todos os anos, a dizer os livros do dia e os autores presentes. Acho que é sempre a mesma mulher. O tom de voz é o mesmo.

Por isso, a ver se dou lá um salto este ano, que no ano passado, até o Miguel Sousa Tavares estranhou autografar um livro dele, com uma reportagem no Sahara Ocidental. Esgotado há anos. 

Foto daqui.

domingo, 25 de abril de 2010

Depois da festa, a realidade.

Faz 36 anos que se deu a revolução na vida quotidiana portuguesa. O 25 de Abril é chamado de Dia da Liberdade, da festa que acabou com o Estado Novo. Eu também faço 36 este ano e para mim é interessante perceber o que foi esse ano e os seguintes.



Em 2007, estreou nos cinemas (cinema king) um documentário sobre a ocupação da herdade da Torrebela no ano de 1975, período de ressaca do 25 de Abril.
Adorei o documentário, que não tem narração e segue os desenvolvimentos ao longo daqueles dias quentes e filmado por um alemão, para que não haja desconfiança. As dúvidas, os ódios, os sonhos de um conjunto de pessoas que acharam que faziam bem, no desejo de criar uma propriedade comunal e próspera. Uma utopia!
O melhor do filme é mostrar como é difícil gerir as expectativas das populações das aldeias vizinhas da herdade. O ideal de fazer uma cooperativa e ninguém saber explicar o que de facto é, a ingenuidade das pessoas, as dúvidas, as raivas pessoais. São emoções a quente daquele tempo, mas que estão bem dentro do ser humano. Os mais jovens podem achar aquelas pessoas ignorantes e brutas, os mais velhos  recordar erros feitos e as frustrações acumuladas. Mas a revolução é tudo aquilo, os exageros, os sonhos, novos projectos, as más decisões e tudo gerido no momento, sem planos, com objectivos vagos, mas com a energia de querer fazer algo diferente e que fosse melhor do que foi durante quase 50 anos.

Acho o filme bem instrutivo para toda a gente. Fiquei abismado com as declarações dos militares, como um deles a sugerir o uso dos carros de combate para lavrar a terra, a sugerir aos líderes a ocupação das terras e depois logo se via.
Passaram os anos, deslumbrámo-nos com os milhões da União Europeia, o país teve um grande desenvolvimento a vários níveis, mas ainda há muito por aprender, por perceber como somos e como reagimos às crises.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

De comboio, de autocarro, de táxi...

Impressionante como nos últimos dias, a Europa voltou ao século XIX, em termos de transportes. De um momento para o outro, uma nuvem vulcânica vem pôr à prova as fragilidades dos transportes actuais.
Pode ser uma amostra do que poderá ser um futuro sem combustível para os aviões.

Mas tem sido interessante a criatividade e o engenho, que tal como no ditado é aguçado pela necessidade. Pessoas que alugam táxis, pedem para ir de pé nos comboios, fazem dezenas de horas em autocarros pela Europa, tal como o fez a comitiva do Presidente da República, vinda de Praga e que deu notícia, todo o fim-de-semana.

O comboio está a ser o transporte preferido, primeiro porque é mais barato e mais rápido. Mas também tem limite e as viagens vão esgotando de lugares, tal como refere no Público. Na CP devem estar a pensar aonde desencantar mais comboios.
É também um quebra-cabeças, para os viajantes que fazem contas ao dinheiro, horários e mudanças de troços para chegar do ponto A ao B. Ou ainda passar em C, D, J ou W, para chegar a B.

Se a situação piorar, teremos grupos a pé a atravessar fronteiras, como faziam as legiões romanas em deslocação para as batalhas.
Tal como diz George Steiner no livro A ideia de Europa, " a paisagem a uma escala humana que possibilita a sua travessia" e que "A cadência e a sequência do pensamento e sensibilidades europeus são, pedestres"

Quanto a mim, prefiro o comboio. O melhor transporte para viajar. Já fiz um périplo por Itália que recomendo, mas sem a pressão da nuvem islandesa.

Não sei se o mapa está actualizado, mas pode ser consultado aqui.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Eyjafjallajökull

Este não é definitivamente o ano da Islândia . Depois da desilusão financeira, agora é o vulcão Eyjafjallajökull a provocar o degelo do glaciar, a evacução das populações e uma nuvem de cinzas que se espalha pelo norte da Europa.
Esta tarde, centenas de voos foram cancelados para evitar tragédias com os aviões. A cinza infiltra-se nos reatores e pode provocar graves avarias. E causa grandes dores de cabeça a quem viaja. As reservas para comboios e autocarros esgotam-se. Até o regresso do vaivém espacial está a ser estudado com alternativas.
 

Depois dos ingleses reagirem mal ao referendo islandês, para decisão popular sobre o pagamento das dívidas ao Reino Unido, o próprio país com a ajuda da natureza, provoca prejuízos a toda a Europa. E ainda veremos quanto tempo irá durar esta nuvem. Os cientistas prevêm que a explosão se dê e contagie o vulcão vizinho, o Katla, e aí seria um cenário imponente.

A dormir desde 1821, este vulcão de nome impronunciável irá mexer com a vida dos Europeus nas próximas semanas. A continuar assim, não haverá viagens de avião no verão para os sacrificados dos escandinavos. Depois de um inverno gelado, nada como um vulcão para aquecer.
 
Foto daqui.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Ilustrações de Guerra

O desenho e a ilustração também vão à guerra. O ilustrador francês Bertrand de Miollis esteve no Afeganistão em equipa com o fotógrafo Thomas Goisque e com o jornalista Sylvain Tesson.


Bertrand de Miollis já havia feito 2 episódios do documentário que passou no canal Travel "Travel Notebook", onde percorreu a Arménia e o Cambodja, sobre viagem e ilustrações. Em 2009, foi para o Afeganistão durante 6 semanas junto com as forças militares francesas. Retratou os afegãs, os militares e as paisagens daquele país. 


O resultado foi editado em livro que saíu em Outubro passado. Em conjunto com fotografias e textos do resto da equipa, retratam um cenário de guerra actual, num país que tem sido uma "mesa de jogo" há séculos.



O desenho vai ganhando espaço junto com as restantes artes na criação de obras sobre a guerra. Ainda há pouco, o óscar para melhor filme foi para uma produção sobre a situação no Iraque.
A visão de um ilustrador está para lá da fotografia. Carrega com a tensão do momento, as cores e o traço também escrevem uma história.

Fotos e desenhos do site oficial do ilustrador: http://www.miollis.com/

sábado, 10 de abril de 2010

Desenhos de Fellini

Nos 50 anos do filme La Dolce vita de Federico Fellini, o Grand Hotel Flora de Roma, faz uma homenagem com desenhos do realizador. São 25 desenhos originais numa exposição que decorre de 8 de Abril a 30 de Maio.


São desenhos de algumas das personagens de Fellini que se tornaram famosas em filmes como La Dolce Vita, Amarcord, Oito e 1/2 ou A cidade das mulheres.
O realizador desenha mulheres voluptuosas e transfere essa visão para as personagens femininas nesses filmes.
Em cima, o desenho da vendedora de tabaco e a imagem dela no filme Amarcord. Não há imagem mais forte para um adolescente que aquela mulher a aproximar-se.


Os desenhos são muito exagerados e alguns misturam imagens de sonhos e desejos do realizador. Teve a oportunidade de passar para o grande ecrân e saborear os seus sonhos na realidade. Poder transpor toda a loucura que prepassa pela cabeça de alguém e fazer uma obra que muitos admiram.


Desenhos daqui, daqui e acolá.
Foto daqui.