sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Resposta ao inquérito

- Qual a sua praia favorita?

  • Praia da Ilha do Pessegueiro. Muito calma e com a paisagem da ilha à nossa frente. Fica perto do parque de campismo.

- Costuma ver os seus mails durante as férias?

  • Não. Ler, só mesmo, os livros.

- Qual o livro que conseguiu acabar de ler numa praia?

  • O "Equador". O resto fica por acabar de ler em casa ou nas férias seguintes. E tem de ser livros grandes. Tenho uma biografia do Bruce Chatwin por acabar há 3 anos...

- Quais as melhores férias que já teve? E as piores?

  • Têm sido todas boas.

- O que detesta na praia?

  • Famílias barulhentas, lixo e ondulação com muita areia.

- Quando estaciona o carro, coloca-o de frente ou de costas?

  • De costas, que é para os pneus não ficarem enterrados na areia e ser mais difícil chegar à bagageira para os estranhos.

- CD, MP3 ou cassete?

  • Já ouvi muita música em cassete, nos walkmans. Agora curto o barulho das ondas e das gaivotas.

- Já foi a alguma praia de nudistas?

  • As praias de Aljezur são excelentes para fazer nudismo. Mas já fui várias vezes ao Meco.

- Qual a distância mais próxima que já esteve de uma família barulhenta?

  • Cerca de metro e meio...

- Da sua família, quem carrega o chapéu? E a geleira?

  • Eu carrego sempre o chapéu. E felizmente não tenho geleira. Mas é um retrato bem típico ver as famílias com a geleira.

Foto: Picasso "Rapariga lendo um livro"

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Inquéritos de Verão

Inquéritos de Verão... Mais uma tradição que volta às páginas dos jornais, a pedir para que figuras públicas preencham o inquéritos de banalidades ou vaidosices. Há sempre um ou outro, com criatividade para dar umas respostas que nos deixam com um sorriso. Outros, acabam por os preencher com "não me lembro"e "não digo".Os intelectuais respondem sempre com literatura de praia que ninguém conhece e com apreciações demasiado pensadas e de linguagem cara. Calculo que na praia não estejam a ler grandes obras de filosofia, excepto os que estão a estudar para os exames de Setembro. Aí, também se vêm os manuais de matemática.As respostas de alguns são tão cuidadas que parece que estão a preencher o currículo e não um simples questionário. Pode muito bem dizer que gosta da Costa da Caparica ou que anda a ler o Pato Donald. O verão é para espairecer e não fazer o que é rotineiro.
Assim, também eu, coloco um inquérito de verão para quem quiser responder:
- Qual a sua praia favorita?
- Costuma ver os seus mails durante as férias?
- Qual o livro que conseguiu acabar de ler numa praia?
- Quais as melhores férias que já teve? E as piores?
- O que detesta na praia?
- Quando estaciona o carro, coloca-o de frente ou de costas?
- CD, MP3 ou cassete?
- Já foi a alguma praia de nudistas?
- Qual a distância mais próxima que já esteve de uma família barulhenta?
- Da sua família, quem carrega o chapéu? E a geleira?

Obrigado por ter respondido ao inquérito. Tal como nos jornais, também assim encho mais uma página!

Foto: http://www.reghardware.co.uk/2008/03/17/desktop_eee_seen/

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Tieta do Agreste

Veio-me à memória um verão de 1989 ou 90, que foi escaldante no canal 1 da RTP. No tempo em que só existiam 2 e todos viam o mesmo.
Na altura estava com 15 ou 16 anos e mexeu comigo. Toda a atmosfera quente e húmida do cenário. Os diálogos com muitas conotações baseados num excelente livro de Jorge Amado "Tieta do Agreste".
Estou a ler outro livro dele "Gabriela, cravo e canela" e toda a construção dos personagens é brilhante. O tempo do cacau, dos jagunços, das intrigas em pequenas cidades da Bahia.

A novela Tieta também tinha os seus mistérios (a mulher de branco que atacava os homens de noite nas ruas era um deles...) e um enredo com personagens que deram aos actores, representações fabulosas. Lembro-me da Joana Fomm e Betty Faria, como 2 irmãs completamente opostas e que tornaram as actrizes famosas no Brasil e em Portugal.
Para um país como Portugal que ainda estava muito inibido, uma novela sobre a vinda da filha pródiga, rica do negócio da prostituição e que volta à cidade de Santana do Agreste mexia com a mentalidade dos casais e famílias que assistiam aos episódios diários.
Confesso que alguns episódios me deixaram a transpirar e produziam excelentes cenários para os sonhos.
Não me posso esquecer de outras novelas brasileiras que "ferveram" nesses anos: Roque Santeiro, Guerra dos Sexos e Vereda Tropical.
Não vale a pena transmitirem novamente. O ambiente que proporcionou a excelente recepção dos portugueses, já não existe hoje. Estão datadas mas nas minhas memórias adolescentes.

Recomendo ver alguns pedaços da novela no Youtube e o inovador, para a época, genérico da novela. Além do nu da mulher que mais tarde se tornaria famosa.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Air Afrique



A visão romântica das viagens a países exóticos.
A África desconhecida e primitiva e o olhar europeu visto de cima e confortavelmente sentado.
Ainda se traziam os chifres dos elefantes como recordação.
Visões antigas, mas arte gráfica intemporal.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

A mais bonita de Beijing 2008

Chamou-me a atenção da beleza desta atleta do Paraguai, que ficou esta madrugada em 51ª nas eliminatórias do dardo, em Beijing. Em Atenas tinha ficado em 42ª.
Chama-se Leryn Franco e despertou a atenção da Imprensa internacional na prova. Chegou a concorrer em 2006 no concurso Miss Paraguai.
Por alguns já foi eleita a mais sexy destes Jogos, mas num evento que apura os melhores desportistas do mundo é natural que junte alguns corpos quase perfeitos.
Se nalgumas modalidades, esses corpos são modelos, noutros eles são imperfeitos, mas perfeitos para modalidades que o exigem.
O grande Michael Phelps tem umas pernas curtas relativamente ao corpo, mas essa é a maior vantagem para ele. Um tronco muito comprido é a perfeição na natação.

Numa lista que vi (http://www.webtvhub.com/the-50-most-beautiful-women-of-the-2008-beijing-olympics-sexy-athletic-girls-pictures-and-videos/), a portuguesa Naide Gomes está em 20ª. Só tenho pena de ela ter feito 2 saltos nulos e não ter chegado à final.
A imagem que fica é da beleza do desporto e da beleza dos atletas. Conjugado, é um poderoso meio de cativar mais espectadores e possíveis desportistas. Poderão não chegar à alta competição, mas todos nós podemos modelar o nosso corpo, mantendo-o em forma, tonificado e belo aos nossos olhos.
Não nos iremos esquecer da Leryn Franco que não chegou ao pódio, mas ficou a sua imagem na nossa mente.

Foto: Clive Brunskill/Getty Images AsiaPac

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Férias molhadas

Este verão não tem sido muito quente e com alguns dias mais húmidos, especialmente na zona norte de Portugal. O mês de Agosto não é um mês muito estável e tanto pode estar imenso calor como o contrário. Estes são os comentários do nosso quotidiano. Quando não há mais nada, fala-se do tempo e das férias estragadas.
Neste momento a tempestade tropical Fay, está sobre as caraíbas e cerca de 1000 portugueses estão a vê-la dos quartos de hotel em Cuba.
Sei que o mês de Agosto é o mais forte para férias, mas viajar para as caraíbas nesta altura é mesmo para quem gosta de ver tempestades ao vivo.
Todos os anos, esta é a época das tempestades e todos os anos há turistas a conhecerem bem os quartos de hotel, as salas de convívio, ler muito e jogos de tabuleiro.
Praia não há para ninguém. Não vêm bronzeados, mas cheios de adrenalina da aventura de assistir às rajadas de vento e chuva.
Pode também ser uma oportunidade para agências de viagem de aventura. Não garantem a hora e o dia de regresso.
Muitas expectativas para quem passa o ano a poupar e ansioso pelas férias nas caraíbas e depois não chega a usar o fato de banho.
Comecem a ir em Janeiro ou Fevereiro...
Nem os Jogos Olímpicos foram poupados, com as regatas a serem adiadas e os atletas pacientes pela melhoria do tempo. As provas chinesas têm sido muito instáveis e difíceis. Gustavo Lima tem mesmo que se queixar da sorte. Não esperava perder a medalha de bronze.
Há que ver o aspecto positivo. A chuva não é tão fria como no Inverno e dá para refrescar o corpo do calor de verão.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Olimpíadas Psicológicas

O atleta Arnaldo Abrantes, esta madrugada, fez a prova dos 200m e ficou pelas eliminatórias. Normal para um estreante e com tão grande qualidade de atletas presentes. Pena, Francis Obikwelu não ter participado, pois acho que esta é a especialidade dele, em vez dos 100m.
Achei curioso, a explicação que o atleta deu por ter feito um tempo longe do que já fez. Diz que bloqueou com a imagem do estádio cheio. Que só havia visto estádios tão cheios, como espectador de futebol.
Esta declaração é semelhante à nadadora Sara Oliveira, que na primeira prova dos 100m mariposa, sentiu o "peso" da assistência e do ambiente olímpico.
A preparação de um atleta não é só física, também deve ser ao nível psicológico. Eles chegam a palcos destes e ficam encolhidos. Sentem-se pequenos e bloqueiam.
A sensação é de que há atletas que vão para os Jogos Olímpicos, como se fossem visitar a Expo 98 e o exotismo das nações e grandes provas desportivas.
É pena, pois acabam por desistir e começam a bloquear toda a carreira do atleta. Sei que no atletismo, em Portugal, a assistência é mínima. Pouca gente assiste às modalidades amadoras e depois em provas internacionais ficam amedrontados com a importância dos jogos e a quantidade de pessoas, tanto nos estádios, como no mundo que estão a assistir. Muita pressão. Um atleta deve-se concentrar na prova, nos adversários e no fim da prova apreciar o espectáculo onde esteve. Na pista, no tapete, dentro da piscina, não há público, apenas atletas.
O caso do Michael Phelps, tem milhões de olhos a vê-lo, é falado em todo o mundo. A pressão sobre o seu desempenho é fortíssima e ele sai de Pequim com 8 medalhas de ouro. Realmente é um atleta do Olimpo e entra para a história.
Quanto aos atletas nacionais é necessário analisar bem a questão psicológica que também afecta alguns futebolistas quando vão a grandes provas europeias. Não sei como seria o comportamento de alguns dos jogadores da selecção se estivessem chegado à final do Europeu. Alguns bloqueariam e ficariam "lesionados" em termos psicológicos. Vemos como ficam quando falham um penalti importante.
Espero que o velocista Arnaldo Abrantes amadureça para os Jogos de Londres em 2012. Merece mais oportunidades pelo trabalho que ele vem desenvolvendo. Meses atrás li uma reportagem sobre ele e o pai que também foi velocista em Seul, em 1988. Há que aprender com os erros e pensar para o futuro.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Judo fora dos Tatames

Tenho assistido à polémica das declarações do judoca português Pedro Dias sobre o seu combate ganho ao campeão do mundo na categoria -66kg, o brasileiro João Derly. A polémica estalou no Brasil, pois em Portugal, a notícia passou ao lado. A fraca prestação dos judocas portugueses tem sido a principal notícia.
A declaração de Pedro Dias sobre uma possível vingança pessoal sobre João Derly, veio agora a ser desmentida pelos 2 atletas, que não entendem a notícia de uma suposta traição do brasileiro com a antiga namorada de Pedro Dias, a judoca portuguesa Joana Ramos. A cada dia que passa, mais personagens entram na história. Sei que é hábito, os portugueses se queixarem sempre das arbitragens, mas usarem a vida pessoal para justificarem vitórias ou derrotas.
Verdade ou não, a justificação para uma possível traição deu força ao português. Pena que ele não tenha arranjado também um bom motivo pessoal que o fizesse ganhar ao norte-coreano Chol Min Pak, que o afastou da competição. A ele e ao João Derly, que o campeão do mundo, aí perdeu também a chance de ser "repescado".
A polémica já se estendeu também à judoca Joana Ramos, que viu a sua página do "orkut" invadida por mensagens ofensivas. Parece que já estamos no mundo do social, em vez do desportivo.
No fim, todos os intervenientes têm de dar explicações à Imprensa e justificarem não só as derrotas, como o que lhes vai na cabeça.
Deixem os atletas à vontade e pensarem no que entenderem para lhes dar força psicológica nos combates, mas não puxem por detalhes que estão fora dos tatames.
Os atletas não têm de pedir perdão por não conseguirem chegar às medalhas desejadas. Já lhes custa suportar as derrotas que não eram esperadas, para ainda terem de justificar as esperanças que o país neles depositaram. Os campeões do mundo têem perdido quase todos. No Judo, as medalhas não são pedidas. Não se trata de melhores tempos ou mais força. Há tantas variáveis que um campeão do mundo não pode chegar às Olimpíadas e pensar que vai ser fácil. O judoca georgiano Irakli Tsirekidz, conseguiu uma medalha de ouro e com todos os problemas que atingem o seu país, este sim teve de fazer vários combates, físicos e mentais.
A ver se este caso, passa à história, para que o Judo seja visto com seriedade e para não denegrir mais a vida pessoal dos atletas. Já lhes custou a derrota.
Curiosamente, a judoca Joana Ramos, venceu a Taça do Mundo do Brasil, numa final com a representante olímpica brasileira da categoria -57kg, Ketleyn Quadros. E esta trouxe de Pequim a medalha de bronze.
Aguardamos para um novo confronto Pedro Dias x João Derly, mas nos Tatames...

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Quanto custa a medalha de ouro?

Quanto custa a medalha de ouro? Para quem não é desportista de alta competição, é um motivo de orgulho para o próprio país. Para a Imprensa, é a notícia de primeira página. Para o atleta é o prémio por todo o sofrimento, esforço mental e físico, dedicação completa e principalmente a fama.
Algumas semanas atrás, vi na televisão uma entrevista (confissão...) da ex-atleta Marion Jones. A super atleta dos Jogos de Sydney em 2000, admitira o uso de esteróides e agora esperava um perdão. Levou uns anos, imagino, a dormir mal e com peso na consciência. Assim devolveu todas as medalhas de todas as provas da altura. Desiludiu a família, as pessoas que gostavam dela e da sua personalidade e ficará sempre marcada por esse facto. Tantos anos dedicados ao atletismo e depois não sobra nada. Pela fraqueza da facilidade, da rapidez em conseguir resultados mais rápidos e melhores.
Alguns destes atletas sofrem as consequências no corpo. Deve haver alguns que nunca foram apanhados nos testes do doping, mas levam uma vida mais frágil com problemas cardíacos e musculares.
Já não somos ingénuos a ver o desporto. Ficamos, agora, sempre a desconfiar dos resultados. Quem será o batoteiro? Qualquer dia, a medalha vai parar ao 5º ou 6º classificado, pois os primeiros estarão todos dopados.
Mesmo sem o doping, os atletas das grandes potências terão sempre melhores condições que os países médios ou pequenos. No futuro, a contagem das medalhas não terá sentido. Muitos atletas naturalizam-se em países que oferecem mais e depois que representação será essa?
Imaginem os Jogos Olímpicos com apenas 6 países a competirem, com atletas de todo o mundo naturalizados...
A pressão é cada vez maior para obter melhores resultados, muito dinheiro em jogo. As finais de natação com o grande Michael Phelps têm sido de manhã, para apanhar o fuso horário americano do horário nobre da televisão.
E em Portugal, todos os dias há notícia de quantas medalhas irão os nossos atletas trazer de Pequim. Num país que apenas 12% fazem desporto regularmente, é exagerado exigir estarmos na lista dos melhores. Incentivos ao desporto escolar! Mais e melhores instalações! O objectivo não é a medalha de ouro, mas termos uma sociedade saudável. Para os de topo, será difícil escapar do doping...

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Judoca Veterano

Hagimé. Em tempo de Jogos Olímpicos e de provas de Judo na madrugada das televisões, lembro-me das competições nacionais dessa modalidade.
Comecei no Judo Clube Odivelas, aos 10 anos de idade, na brincadeira e com o gosto pelo desporto. Até aos 25 anos, competia, às vezes melhor preparado, outras nem tanto, dependia das provas.
Para chegar a ser um bom judoca, é necessária muita dedicação, talento e boas condições de treino. Treinei muitos anos no pavilhão da Escola Secundária de Odivelas, 3 vezes por semana à noite e havia um ambiente muito bom para a prática desportiva. Naquele pavilhão, assistia, a treinos de Basquetebol, Corfebol, Andebol e Voleibol. A falta de pavilhões, sentia-se na divisão de horários. O nosso país, continua com falta de instalações desportivas e isso desincentiva os jovens. Anos mais tarde, os treinos passaram para o pequeno pavilhão da Escola Preparatória Avelar Brotero e aí era mesmo mais complicado. As paredes estavam muito próximas para as quedas dos combates. Mas, aí entra a conhecida "carolice" que tantos clubes de modalidades amadoras teimam em manter.
Não passei de atleta mediano, mas foi uma experiência muito agradável e tive a oportunidade de experimentar a competição com grandes atletas. Nos últimos anos, lutava na categoria de -81Kg e a minha preparação física já era muito diferente, do tipo de atletas que defrontava.
Desses anos, ficam memórias boas, o gosto pelo desporto e algumas mazelas. Um judoca com uns anos, anda sempre com adesivos, os joelhos danificados e com outras lesões. Uma vez parei 2 meses para recuperar de um ombro.
O Judo nos últimos anos tem tido uma enorme subida em Portugal, os resultados de nível mundial têem aparecido e é necessário que mais miúdos façam desporto. É excelente para o corpo, para a mente e para uma maneira mais saudável de estar na sociedade. Há para aí muito miúdo obeso que precisa de fazer exercício físico.
Tenho pena, de nestes Jogos Olímpicos, a televisão filmar sempre o tapete onde não está a lutar um atleta português. Estar a "ver" um combate no tapete 1 e a "ouvir" o combate da judoca Ana Hormigo no tapete 2. Maté.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Esperanças Olímpicas

A cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos está marcada para amanhã. Como sempre, antes do evento começar, as notícias sobre os nossos atletas vão aparecendo nas televisões e nos jornais.
Reportagens sobre a vida em Beijing, as curiosidades da organização e as biografias dos atletas mais conhecidos. É muito bom que também se promovam outras modalidades e os seus atletas, para que o futebol não tenha o seu exclusivo. Pelo menos não apanhámos agora, com horas de imagens de acompanhamento dos atletas ao aeroporto, às suas casas e o que comem.
No fim das reportagens vem sempre aquela pergunta das medalhas e das esperanças para estes jogos. Antes, o país ficava contente por um medalha de prata ou bronze. Depois começou a exigir mais dos atletas, mas as condições eram más para a prática de desporto de alta competição. Felizmente que esse argumento já não é utilizado. Temos cada vez mais condições para termos super-atletas. Já ouvi falar em trazer 8 medalhas. É melhor não começarem com prognósticos que no europeu de futebol também já falavam de quem podia ser a equipa que iria jogar com a nossa selecção na final. Claro que quando não trazemos nada, a explicações são comuns a todos os desportos. A imprensa, o clima, a poluição, a comida...
Tudo isso me fez lembrar um quadradinho que surge no album do Astérix nos Jogos Olímpicos e a reacção da claque de apoio ao seu atleta que não havia ganho a prova. Não sei se iremos trazer medalhas, mas espero que os nossos atletas cumpram as esperanças pessoais. As vitórias são deles e para nós ficam as motivações para cada vez mais portugueses façam desporto.
Mais alto, mais rápido, mais forte!

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

CensurArte


Ao ler hoje a crónica do Ferreira Fernandes no DN, soube que no palácio Chigi, a sede do governo italiano, fizeram uma "pequena" alteração ao cenário da sala de conferências de imprensa.
No início desta semana, a imprensa italiana, noticiou a cobertura de uma mama que surgia destapada na reprodução do quadro do pintor Giovanni Battista Tiepolo "La Verità svelata dal Tempo" do século XVIII.
A intenção não foi de censura ao quadro, mas de não desviar a atenção da imagem do orador, que fica com a dita mama junto da cabeça. Aparentemente, a ex-careca do primeiro-ministro era o principal motivo que os assessores de imagem, alegam para a "melhoria" da imagem do quadro.
Num país que assistiu à pintura de ceroulas nos frescos da capela Sistina, por pedido do Vaticano, acaba por não ser inédito, mas curioso que em pleno século XXI, se assista ainda a estas "melhorias" em obras de arte.
Berlusconi que se mostra normalmente à vontade a falar sobre mulheres e a sua beleza (a célebre escolha de Mara Carfagna para ministra da Igualdade), deveria ter rejeitado esta alteração. Aceitava o peito nu com o mesmo a mesma coerência dos seus discursos e pensamentos ou então mudava de cenário, colocando outro quadro mais de acordo com politicamente correcto da imagem televisiva para as conferências de imprensa.
Por ironia, o primeiro-ministro é dono de cadeias televisivas que mostram frequentemente, em concursos, mulheres com o peito nu. Lembram-se do concurso "Colpo grosso" nos primeiros anos da SIC.
A ver se não começam a querer tapar com gesso, os bustos da República...

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Lisboa A gosto

Lisboa em Agosto, é outra cidade. Como qualquer outra cidade europeia, diminui a sua população que vai de férias e aumenta o número de visitantes. Para os que ficam a trabalhar diariamente, a velo-cidade do dia baixa, os ritmos ficam alterados, os jornais gratuitos deixam de ser distribuídos nas entradas do metro, muitos restaurantes e cafés fecham a anunciar "Estimados clientes, voltamos a .... de Agosto".
Os turistas que por aqui andam todo o ano, passam a ser a maioria. Interessante como todos nós, viajamos para conhecer cidades em que os seus habitantes estão fora a conhecer as nossas cidades.
Os transportes públicos são menos e com intervalos mais espaçados de tempo. Os especiais para as praias aumentam e com eles a areia nos bancos e corredores.
Há uns anos, apanhava bem cedo a Rodoviária para a Costa na Praça de Espanha. Muita gente de pé com a geleira e o chapéu de sol, apertados, mas com muita vontade de ver o azul do mar e o sol na areia. Na volta trazíamos areia nos calções, suor e sal na pele e o cansaço nas pernas. No dia seguinte lá estávamos a mostrar o L123 e à procura de lugar de pé ou sentado. A travessia da ponte era magnífica, com a primeira imagem do azul da água para acalmar a ansiedade de chegar cedo à Costa.
Lisboa em Agosto, já não tem as festas populares de Junho, nem a alegria de quem trabalha a contar os dias que faltam para as férias, mas tem a calma e reflexão do tempo que sobra, dos lugares sentados, do almoçar sentado a ver as imagens dos Jogos Olímpicos, das reportagens sobre as festas dos emigrantes e dos "malucos do riso na SIC" (ontem ainda estavam a dar às 23h45). Aparentemente é um mês sem ideias, mas serve para tratar de assuntos antigos e ler muito e desenhar, que o tempo sobra.
Foto: Harald Hess (Lisboa, anos 50 )